Policial é flagrado com R$ 40 mil em dinheiro vivo escondido em adega no Rio

Na última quinta-feira (15), a Polícia Federal (PF) fez uma descoberta surpreendente em uma residência de Niterói (RJ), onde, entre garrafas de vinho e taças, encontraram três maços de dinheiro. Ao todo, foram apreendidos R$ 40 mil em dinheiro vivo, que estavam escondidos na adega do imóvel vinculado ao inspetor da Polícia Civil José Carlos Alves de Souza Júnior.

Essa prisão aconteceu no contexto da oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma suposta organização criminosa. O grupo é acusado de operar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como meio para lavagem de dinheiro.

A investigação revela que José Carlos Alves de Souza Júnior teria um papel-chave na parte financeira dessa rede criminosa. A PF acredita que ele utilizava sua esposa para disfarçar sua participação nas atividades ilícitas, além de ser responsável pela distribuição de valores tanto entre os membros da organização quanto entre agentes públicos.

Operação desvenda movimentações financeiras vultosas

A magnitude dos valores envolvidos neste caso foi evidenciada em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). De acordo com a Polícia Federal, o grupo sob investigação teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

É importante ressaltar que esse montante refere-se às transações financeiras detectadas durante a investigação e não implica que todo o valor seja originado de atividades criminosas. A apuração busca esclarecer tanto a origem quanto o destino desses recursos.

A PF suspeita que diversas empresas, especialmente do setor de combustíveis, foram utilizadas para movimentar esses recursos com o intuito de dificultar seu rastreamento. Parte das operações estava registrada em nome de “laranjas”, ou seja, indivíduos utilizados para ocultar os verdadeiros donos e beneficiários dos negócios.

No decorrer da operação realizada nesta quinta-feira, foram executados seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão. Todos os alvos das prisões preventivas foram capturados.

Entre os detidos estão um deputado e um ex-chefe da Polícia Civil

Dentre os presos estão o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União-RJ), além do ex-secretário da Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ, Marcus Vinicius Amim Fernandes.

A lista dos detidos também inclui os policiais civis Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo; José Carlos Alves de Souza Júnior; Christiano Gaspar Fernandes; e Giovanni Gaspar Fernandes. Vale destacar que Christiano também ocupa a função de secretário municipal de Ordem Urbana em Belford Roxo.

Além das detenções, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores ligados à investigação e suspendeu as atividades de 112 empresas associadas à estrutura criminosa investigada. Dentre elas, 96 são postos de combustíveis que teriam sido empregados no esquema ilícito.

A PF havia solicitado um bloqueio total no valor de R$ 7,6 bilhões; entretanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), limitou essa medida a até R$ 700 milhões, afetando 12 indivíduos e 11 empresas.

Aqueles sob investigação poderão enfrentar acusações variadas conforme suas respectivas participações nos crimes, incluindo organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação do sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

As defesas dos acusados Canella e Amim afirmaram estar aguardando acesso aos documentos do processo para se pronunciar sobre as alegações.

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