Forças Armadas adquirem nova remessa de míssil estratégico brasileiro desenvolvido pela SIATT

No dia 3 de agosto, o Comando Logístico do Exército (COLOG) recebeu a segunda remessa de munições do sistema anticarro MAX 1.2 AC, desenvolvido pela empresa brasileira SIATT. A entrega foi realizada no Centro Logístico de Mísseis e Foguetes, situado no Forte Santa Bárbara, em Formosa, Goiás.

Esta nova entrega dá continuidade ao contrato estabelecido entre a SIATT e o Exército, ocorrendo menos de quatro meses após a distribuição do primeiro lote, que aconteceu em maio deste ano.

O contrato abrange não apenas os mísseis, mas também inclui o fornecimento de Unidades de Tiro, simuladores e adaptações necessárias para a instalação do sistema em veículos leves. Entretanto, as quantidades exatas dos itens fornecidos não foram divulgadas.

O míssil MAX 1.2 AC é um armamento superfície-superfície projetado especialmente para o combate a veículos blindados. Seu desenvolvimento foi realizado pela SIATT em colaboração com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), representando um avanço significativo de um projeto que levou décadas até atingir a fase de produção em larga escala.

Classificado como Produto Estratégico de Defesa pelo Ministério da Defesa, o projeto continua a ser mantido pelo CTEx entre os sistemas desenvolvidos em parceria com empresas do Brasil.

A SIATT, que também é reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), assumiu a condução do projeto em uma fase posterior e vem se dedicando ao aprimoramento e desenvolvimento do sistema desde 2017.

Em junho de 2024, o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército validou os resultados obtidos na campanha de avaliação do míssil, que envolveu 21 lançamentos realizados no Centro de Avaliações do Exército (CAEx).

<spanAinda naquele ano, foi assinado um contrato entre o Departamento e a SIATT para licenciamento do produto visando à produção e comercialização. Na mesma ocasião, houve uma mudança na nomenclatura de MSS 1.2 AC para MAX 1.2 AC, em homenagem ao sargento Max Wolf Filho, membro da Força Expedicionária Brasileira que perdeu a vida durante a Segunda Guerra Mundial.

Estima-se que o valor relacionado ao contrato para fornecimento dos equipamentos pela SIATT seja aproximadamente R$ 54 milhões.

O sistema MAX 1.2 AC adota uma tecnologia de guiamento conhecida como Laser Beam Rider, onde a Unidade de Tiro mantém o alvo sempre à vista enquanto projeta um feixe laser; esse feixe é utilizado pelo míssil como referência para ajustar sua trajetória durante o voo.

Conforme as informações disponíveis no catálogo oficial da Base Industrial de Defesa, o Ministério da Defesa classifica este sistema como robusto e capaz de operar sob condições adversas. A taxa estimada de acerto desse míssil de médio alcance ultrapassa os 92%, segundo critérios estabelecidos pelo fabricante.

A ogiva do MAX 1.2 AC utiliza uma tecnologia conhecida como carga oca, comumente aplicada em munições anticarro para maximizar os efeitos da explosão em uma área reduzida da blindagem. A capacidade de penetração é calculada em torno de 530 milímetros equivalentes a aço homogêneo conforme dados fornecidos pela empresa.

No ano de 2026, o Centro Tecnológico do Exército apresentou uma Viatura Blindada Multitarefa 4×4 Guaicurus equipada experimentalmente com o MAX 1.2 AC, além de um veículo terrestre não tripulado com lançador duplo; essas inovações ainda não foram adotadas operacionalmente pelo Exército.

A fabricação dos primeiros lotes do míssil ocorreu na nova unidade da SIATT localizada em Caçapava, São Paulo. Esta instalação foi projetada especificamente para concentrar atividades relacionadas à produção de sistemas defensivos, incluindo motores-foguete e montagem final dos mísseis.

A fábrica ocupa uma área construída total de 6.200 metros quadrados e representa a expansão das operações da companhia após a entrada do grupo árabe EDGE Group nos Emirados Árabes Unidos no seu quadro societário em 2023.

  • Leia também: Brasil amplia indústria de defesa com nova fábrica de mísseis no Vale do Paraíba – Revista Fórum

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