A técnica conhecida como tapping pode parecer peculiar à primeira vista: envolve a repetição de toques com as pontas dos dedos em áreas específicas do corpo e do rosto, ao mesmo tempo em que a pessoa se concentra em uma situação que provoca desconforto. Essa abordagem é parte da Técnica de Libertação Emocional (EFT).
Durante a prática do tapping, os dedos são usados para realizar batidas leves em pontos determinados do corpo, como perto das sobrancelhas, ao redor dos olhos, abaixo do nariz, no queixo, na clavícula e nas mãos. Enquanto isso, o praticante mantém o foco na questão emocional ou situação que deseja tratar.
Na metodologia da EFT, a técnica não se restringe apenas aos toques. Ela também incorpora elementos psicológicos, como a evocation da emoção ou situação desconfortável e a formulação de frases pertinentes durante o processo.
Essa combinação faz com que essa abordagem se distinga de práticas meramente físicas, como massagens simples.
A EFT é incluída dentro do contexto mais amplo da psicologia energética, que historicamente integra conceitos de sistemas tradicionais, incluindo os pontos utilizados na acupuntura.
No entanto, a noção de uma “energia” ou fluxo de meridianos que explicaria os efeitos dessa técnica é controversa e ainda não está validada pela ciência tradicional.
Uma revisão publicada em 2025 na Frontiers in Psychology busca analisar possíveis mecanismos fisiológicos e psicológicos envolvidos no uso dessa prática. O artigo admite que esses mecanismos ainda estão sob investigação.
O que já foi descoberto pela ciência?
A pesquisa sobre EFT reúne ensaios clínicos, análises sistemáticas e investigações sobre marcadores fisiológicos, como o cortisol. Embora alguns resultados sejam encorajadores, a qualidade e o desenho dos estudos variam consideravelmente.
Um estudo publicado em 2025 na revista Healthcare, focou especificamente no uso da EFT para tratar sintomas de ansiedade. Os pesquisadores identificaram sete ensaios clínicos randomizados com um total de 506 participantes.
Dentre os seis estudos que compararam a EFT com grupos sem intervenção, observou-se uma redução significativa nos sintomas de ansiedade para aqueles que utilizaram a técnica.
Em comparação com intervenções ativas, a EFT mostrou resultados semelhantes ou até superiores aos métodos de respiração e relaxamento muscular; contudo, não houve diferença significativa quando comparada à terapia cognitivo-comportamental.
Tapping tem impacto nos níveis de cortisol?
Dentre os estudos mais referenciados sobre tapping está um ensaio clínico randomizado realizado em 2012.
Neste estudo, 83 participantes foram divididos em três grupos: EFT, entrevista de apoio e ausência de tratamento. O nível de cortisol foi medido antes e após uma sessão de intervenção com duração de uma hora.
No grupo que recebeu EFT, houve uma diminuição do cortisol em 24,39%, enquanto o grupo da entrevista de apoio apresentou redução de 14,25% e o grupo sem tratamento teve queda de 14,44%. Além disso, reduções nos indicadores relacionados à ansiedade e depressão foram observadas no grupo EFT.
Embora os números sejam impressionantes, é importante considerar a amostra relativamente pequena e a natureza única da intervenção realizada em apenas uma sessão. Dessa forma, não é possível garantir sua eficácia clínica para transtornos mentais.
Mecanismos subjacentes à prática
Diferentes teorias científicas tentam explicar os possíveis efeitos do tapping. Uma dessas teorias sugere que a estimulação física em pontos específicos da pele aliada à concentração em memórias ou situações estressantes possa desencadear respostas fisiológicas relacionadas ao processamento emocional.
Ainda que os resultados preliminares sejam promissores, eles não sustentam a ideia do tapping como uma forma definitiva de “autocura” nem confirmam completamente seus mecanismos subjacentes.
A evidência atual indica que a EFT pode ser uma estratégia complementar eficaz para reduzir estresse e certos sintomas relacionados à ansiedade; no entanto, questões sobre a magnitude desses efeitos e quais aspectos da técnica realmente influenciam continuam sem resposta.
Pessoas enfrentando problemas como ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático devem entender que o tapping não substitui avaliações ou tratamentos profissionais adequados.








