O Brasil experimentou na prática as consequências negativas do enfraquecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Anos marcados por um teto de gastos, filas cada vez mais longas e uma cultura de negacionismo mostraram à população o impacto real dessa situação. Aqueles que dependem do trabalho sabem bem o que isso significa: noites em claro na espera por atendimento, longas esperas por exames e famílias se endividando para acessar serviços privados.
Com a administração do presidente Lula, essa fase foi deixada para trás, com foco em trabalho, gestão e investimento.
Para solucionar um dos principais desafios históricos do SUS, que é a dificuldade de acesso a especialistas, foi lançado o programa “Agora Tem Especialistas”. Este não é apenas mais um nome atrativo; trata-se de uma reforma estrutural que aborda a questão através de três pilares: tecnologia, recursos humanos e gestão. A inclusão da telessaúde, as unidades móveis de exames que atuam nas áreas rurais, os prontuários eletrônicos e a organização das filas nacionais com base em critérios de risco são iniciativas que colocam o SUS no século 21.
Simultaneamente, houve um reforço na força de trabalho. O programa “Mais Médicos” foi revitalizado e ampliado, agora contando com mais de 28 mil profissionais. Os agentes comunitários de saúde foram novamente valorizados, e a frota do SAMU passou por renovação. O impacto dessas ações já é visível na vida das pessoas.
No ano de 2025, o SUS alcançou recordes históricos no número de atendimentos realizados: foram 14,9 milhões de cirurgias e 43,7 milhões de exames especializados. Esses números representam histórias reais: mães que conseguiram realizar mamografias no tempo certo, trabalhadores recuperando a visão após cirurgia de catarata e crianças diagnosticadas precocemente.
Esse esforço contínuo para reconstruir o sistema agora avança com os “13 Compromissos para a Saúde”, que estabelecem diretrizes claras para os próximos quatro anos visando um SUS mais eficaz e presente nas comunidades.
Os compromissos abrangem desde ações básicas até inovações necessárias. Entre eles estão: assegurar a política de fila zero para cirurgias e exames; garantir diagnósticos de câncer em até 30 dias e início do tratamento em até 60 dias; fortalecer o atendimento à saúde da mulher com acesso abrangente a exames preventivos, mamografias e partos humanizados; além de oferecer cuidados integrais para crianças e idosos.
Ainda há compromissos estruturais importantes como a ampliação permanente da Farmácia Popular com gratuidade em 40 medicamentos; o aumento do número dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para combater crises na saúde mental; transformar o programa “Mais Médicos” em uma política pública contínua; e retomar a produção nacional de vacinas, medicamentos e equipamentos para garantir autonomia sanitária.
Outro aspecto fundamental é o avanço do SUS digital sem perder a essência humana. A proposta inclui um cartão único do SUS acessível pelo celular dos cidadãos, alinhado nacionalmente, mas mantendo a presença dos agentes comunitários nas residências. A tecnologia deve servir ao cuidado humano, não substituí-lo.
Diante dos dois modelos distintos propostos para a saúde pública brasileira, fica clara a escolha. De um lado está um modelo que vê a saúde como uma despesa passível de cortes e que se aproximou do negacionismo durante crises como a pandemia. Do outro lado encontra-se um modelo que considera a saúde como um investimento essencial, um direito constitucional e uma alavanca para o desenvolvimento social.
Apostar no SUS voltado à saúde ao invés da doença e do negacionismo transcende slogans; é uma diretriz governamental. Essa abordagem assegura que o Brasil mantenha um sistema público abrangente e gratuito reconhecido mundialmente.
Diante disso, emerge uma perspectiva otimista: tanto a esperança quanto a saúde prevalecerão novamente.
Viva o SUS!
*Nelsão da Força é sindicalista e ativista no movimento pela saúde dos trabalhadores.
**Este artigo não reflete necessariamente as opiniões da Fórum.








