A influenciadora trans brasileira Malévola Alves, de 22 anos, e sua amiga Bruna Tivo foram apreendidas nesta terça-feira (20) em Alexandria, Egito, após a divulgação de vídeos registrados nas ruas da cidade.
O Ministério do Interior do Egito confirmou a prisão por meio de um post na rede social X, onde acusou as brasileiras de realizar “atos de exibição pornográfica”, insinuar conteúdo sexual e assediar pessoas que passavam.
As autoridades informaram que já foram tomadas providências legais e que o caso foi encaminhado para a Promotoria Pública do Egito.
Antes da confirmação oficial, Malévola compartilhou nas redes sociais que teve seu passaporte confiscado, foi levada para uma delegacia e questionada pelos policiais sobre sua identidade de gênero.
Esse incidente acontece em um país com histórico de denúncias sobre perseguições e violações dos direitos das pessoas LGBTQIA+.
Confirmação da detenção das brasileiras pelo Ministério do Interior do Egito
Em uma publicação na plataforma X, o Ministério do Interior egípcio esclareceu que a detenção ocorreu em razão da circulação dos vídeos de Malévola Alves e Bruna Tivo nas redes sociais.
Ao que tudo indica, as imagens mostrariam as brasileiras “praticando atos de exibição pornográfica, insinuações sexuais e assédio a transeuntes enquanto andavam por diferentes ruas em várias províncias”.
As duas influenciadoras foram identificadas e detidas na cidade de Alexandria, que é uma das principais metrópoles do país.
Segundo informações oficiais, ao serem confrontadas com o conteúdo dos vídeos, elas teriam reconhecido que gravaram as filmagens com a intenção de aumentar suas visualizações nas redes sociais.
As autoridades egípcias anunciaram que medidas legais estão sendo tomadas e encaminharam o caso à Promotoria Pública, que ficará responsável pela continuidade da investigação.
No entanto, o comunicado não detalha quais artigos da legislação egípcia justificaram a detenção.
https://x.com/moiegy/status/2112642293996073070
Desespero de Malévola Alves após abordagem policial
Antes da declaração oficial das autoridades, Malévola Alves usou os Stories do Instagram para descrever sua experiência com a abordagem policial e solicitar ajuda aos seguidores.
A influenciadora relatou que estava participando de um passeio turístico quando seu veículo foi parado pelas autoridades.
“Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Não sei o que vai acontecer ou como vão nos tratar. Eles tomaram todos os nossos passaportes e pararam nossa van durante o passeio”, escreveu ela.
No relato, Malévola também mencionou Bruna Tivo como sua companheira durante a detenção.
Ela afirmou ainda que os policiais fizeram perguntas sobre suas identidades de gênero.
A situação gerou preocupação devido ao histórico de repressão enfrentado pela comunidade LGBTQIA+ no Egito.
Defensores acionam Embaixada do Brasil em favor de Malévola Alves
A defesa da influenciadora se manifestou através do advogado Jonatha Carvalho Matos, que divulgou uma nota nas redes sociais.
O advogado revelou ter estabelecido contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e com as autoridades responsáveis pelo caso.
“A defesa já está em comunicação com a Embaixada do Brasil no Cairo e com os órgãos competentes para garantir a integridade física, segurança e os direitos legais de nossa cliente”, declarou Matos.
Ele acrescentou que “a situação está sendo monitorada continuamente e com prioridade”.
A defesa também solicitou cautela quanto à divulgação de informações não confirmadas e garantiu que atualizações relevantes serão comunicadas através dos canais oficiais.
https://x.com/maleficaalves/status/2112695529918370224
Cenário no Egito: histórico de perseguições à população LGBTQIA+
A prisão de Malévola Alves e Bruna Tivo ocorre dentro de um contexto mais amplo marcado por restrições e denúncias de violação dos direitos humanos contra indivíduos LGBTQIA+ no Egito.
Ainda que a legislação egípcia não criminalize explicitamente a homossexualidade ou questões relacionadas à identidade trans, as autoridades frequentemente utilizam dispositivos legais vinculados à moral pública para investigar e processar membros dessa comunidade sob pretextos como “libertinagem” e preservação dos valores familiares.





