Nesta quinta-feira (22), o ex-presidente Lula, do PT, compareceu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assinar um acordo que permite a abertura de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos. Flávio Bolsonaro, do PL, concordou com a medida através de procuração, representado pela advogada Maria Claudia Bucchianeri.
Esse entendimento surgiu em resposta a um desafio feito por Lula durante o debate na Band e estabelece que as informações sobre os dois candidatos, suas famílias e empresas sejam divulgadas simultaneamente. Contudo, a efetivação do acordo ainda requer a autorização do ministro André Mendonça, responsável pelo caso.
A disputa teve início no domingo (18), quando Lula provocou Flávio a tornar públicos os dados financeiros e telefônicos de ambos. Inicialmente, Flávio rejeitou a proposta, mas posteriormente apresentou condições para sua adesão ao compromisso.
Entre os principais pontos de discórdia estava a Alcazar Holdings, uma empresa registrada na Ilha da Madeira e de propriedade do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Informações da Polícia Federal mencionadas pela defesa de Lula indicam que Flávio era considerado o “usuário master” de uma conta bancária da empresa, um vínculo que estaria previsto para se encerrar em maio de 2025.
A campanha do PT solicitou que as informações da Alcazar fossem incluídas no acordo. O presidente do partido, Edinho Silva, revelou que os representantes de Flávio acabaram aceitando essa condição após algumas hesitações.
O documento estipula que as informações sejam tornadas públicas em uma plataforma acessível, com as autorizações necessárias a serem apresentadas até às 23h59 desta quinta-feira.
Apesar da assinatura do acuerdo, a campanha de Flávio ainda levanta algumas objeções. Bucchianeri argumentou que a abertura dos sigilos deveria abranger um período maior do que os oito anos inicialmente sugeridos e destacou a intenção de revisar os documentos de Lula antes de disponibilizar os dados referentes ao candidato bolsonarista.
A advogada também requisitou registros das entradas e saídas nos palácios presidenciais e informações telefônicas relacionadas a um ex-chefe de gabinete de Lula.
No lado petista, aliados expressam ceticismo quanto à disposição de Flávio em cumprir o acordo. O ministro Guilherme Boulos comentou que a campanha oposicionista tentou criar entraves ao avanço da negociação, enquanto o advogado Marco Aurélio de Carvalho criticou a condição imposta por Flávio referente à apresentação prévia dos dados do ex-presidente.
O acordo abrange também os familiares dos candidatos, englobando Janja, filhos de Lula, Jair Bolsonaro e outros membros da família do senador, além das empresas associadas às partes envolvidas.
A divulgação das informações agora aguarda os procedimentos administrativos no TSE. As campanhas solicitaram que Mendonça requisitasse as informações necessárias ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e operadoras de telefonia.








