Desmatamento na Amazônia registra menor índice em quatro décadas sob a gestão de Lula

De acordo com um novo estudo do MapBiomas, o desmatamento na Amazônia em 2025 atingiu o menor nível dos últimos 41 anos, totalizando 693 mil hectares desmatados. Embora esse dado seja encorajador, representando a menor perda de cobertura florestal desde 1985, a organização alerta sobre o crescimento de 561% da agropecuária nas áreas adjacentes às zonas protegidas e a pressão exercida pelas estradas na região.

A significativa diminuição do desmatamento é atribuída às políticas públicas implementadas pelo governo Lula (PT) desde 2023. Este governo reativou as ações de controle e fiscalização, além de elevar as penalidades para atividades de desmatamento. Em junho do seu primeiro ano à frente do país, o presidente lançou a quinta fase do PPCDAm, o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, que havia sido negligenciado durante a administração de Jair Bolsonaro.

Adicionalmente, Lula nomeou a renomada ativista ambiental e ex-deputada Marina Silva (Rede) como Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, uma decisão que teve impactos positivos nos avanços observados nos últimos anos.

Para entender os dados apresentados, é imprescindível considerar o contraste com a gestão anterior. Nos anos que precederam o atual governo, houve um desmantelamento sistemático da capacidade estatal de fiscalização, com cortes nos órgãos ambientais e um enfraquecimento no processo de licenciamento, além de uma retórica institucional que minimizava a necessidade urgente de proteger a floresta.

Bruno Ferreira, pesquisador associado ao Imazon e ao MapBiomas, comentou em entrevista ao g1 que “a redução notada nos últimos anos se insere em um contexto de rejuvenescimento e fortalecimento das políticas de prevenção e controle por meio de ações de fiscalização, monitoramento via satélite e ordenação territorial.”

Ameaças: agropecuária e rodovias

O resultado alcançado em 2025 não elimina as preocupações levantadas pelo próprio levantamento. A pastagem foi identificada como o principal uso da terra após o desmatamento, aparecendo em 77% dos casos analisados. Em 2025, essa atividade ocupava 50,8 milhões de hectares na Amazônia, representando um aumento de 556% desde 1985. De forma geral, a agropecuária, nas áreas adjacentes às zonas protegidas, cresceu 561%, atualmente ocupando 31% dessa faixa tampão que deveria servir como zona intermediária entre a floresta e as atividades econômicas.

A rede viária constitui outra pressão significativa. Nas regiões situadas até cinco quilômetros das estradas mapeadas, a agropecuária ocupa 40,2% da área. À medida que se afasta para distâncias de até 20 quilômetros, esse percentual diminui para 26,7%. A lógica é clara: onde surgem estradas, ocorre um aumento no desmatamento. Bruno Ferreira explica que “a expansão das estradas não se limita apenas à criação de novas vias”, mas “facilita o acesso a áreas antes isoladas e pode incentivar diferentes atividades econômicas e formas de ocupação do território”, conectando áreas afetadas pelo desmatamento à exploração madeireira e à ocupação irregular. A Amazônia conta com 618 mil quilômetros de estradas registradas, sendo que 41,5 mil quilômetros passam por áreas protegidas.

A importância das áreas protegidas

<spanUm aspecto relevante dos estudos realizados pelo MapBiomas diz respeito à função das áreas protegidas geridas por comunidades tradicionais. Nos territórios indígenas, unidades de conservação e terras quilombolas,98% da vegetação remanescente é nativa. Especificamente nas Terras Indígenas, essa porcentagem chega a impressionantes 98,9%.

A análise por estado revela desigualdades significativas dentro do bioma. Os estados do Amapá (95,5%), Amazonas (94,6%) e Roraima (92,3%) apresentam as maiores taxas de cobertura vegetal nativa remanescente. Por outro lado, Tocantins (24,6%), Maranhão (49,8%), Rondônia (59,1%) e Mato Grosso (61,7%) têm as menores porcentagens. Esses estados são precisamente aqueles onde a fronteira agrícola avançou mais intensamente nas últimas décadas e onde as pressões sobre as áreas protegidas são mais intensas.

Ives Brandão da equipe amazônica do MapBiomas ressalta que à medida que estradas e atividades econômicas se aproximam dos limites dessas áreas protegidas,”quando essa proteção se torna mais frágil”, essas regiões podem se tornar mais suscetíveis em um cenário onde as pressões sobre a paisagem ao redor aumentam.

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