A Amazônia, tradicionalmente marcada por pastagens degradadas e terrenos subutilizados, se prepara para uma mudança significativa com a implementação de um modelo que combina conservação ambiental e viabilidade econômica. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) autorizou um financiamento de R$ 250 milhões, proveniente do Fundo Clima, para o projeto da Belterra Agroflorestas. Este plano prevê a conversão de 4 mil hectares de áreas afetadas no bioma em Sistemas Agroflorestais (SAFs), tendo o cacau como foco principal de produção.
Com um custo total projetado de R$ 302 milhões, a iniciativa busca revitalizar áreas que já perderam sua vegetação nativa, unindo espécies autóctones da floresta com culturas agrícolas rentáveis.
O planejamento técnico e operacional delineado pelo BNDES e pela Belterra contempla o cultivo de cerca de 4,72 milhões de plantas, incluindo aproximadamente 25 espécies que são nativas do ecossistema amazônico.
Nesse contexto, o cacau é destacado como a principal cultura agrícola, sendo integrado ao dossel florestal e mimetizando a estrutura de um ecossistema natural. Com a plena consolidação da lavoura, espera-se uma produção anual superior a 12 mil toneladas de amêndoas.
Além das práticas agronômicas avançadas, o projeto também abrange iniciativas para regularização documental e certificação dos produtores participantes, assegurando segurança jurídica, rastreabilidade e acesso a mercados exigentes.
Benefícios ambientais e econômicos
No que diz respeito ao meio ambiente, a transformação de áreas degradadas em SAFs se revela uma estratégia eficaz para mitigação e adaptação às mudanças climáticas. As projeções indicam que esses novos sistemas agroflorestais poderão capturar até 1,2 milhão de toneladas de carbono até o ano de 2031.
Outro aspecto relevante é a recuperação da biodiversidade local. A combinação do cacau com diversas espécies nativas contribui para a formação de corredores ecológicos, favorecendo o retorno da fauna original, melhorando a qualidade do solo e protegendo os recursos hídricos.
Ademais, ao transformar áreas já abertas em espaços produtivos e financeiramente viáveis, essa iniciativa diminui a pressão para desmatar novas áreas de floresta primária, alinhando-se às metas de desmatamento zero.
O projeto também representa uma oportunidade socioeconômica significativa para as regiões internas da Amazônia, demonstrando que uma floresta saudável e manejada pode gerar mais riqueza do que práticas tradicionais predatórias.
A expectativa é que a elevada produtividade resultante das mais de 12 mil toneladas anuais de cacau fortaleça a cadeia do chocolate sustentável, agregando valor desde sua origem e integrando agricultores familiares e parceiros locais em mercados globais com rigorosos padrões qualitativos e socioambientais.








