A morte de Lito Sousa, influenciador e especialista em aviação, aos 59 anos, na última quinta-feira (1º), gerou uma onda de consternação nas redes sociais. Para muitos que seguiam seu trabalho, a notícia trouxe tristeza e um profundo sentimento de vazio. Durante seu velório em São Paulo, admiradores formaram longas filas para prestar suas últimas homenagens.
Mas o que leva à comoção pela perda de alguém com quem não se teve contato direto?
A psicóloga oncologista Wlliane Flores Moreira, especialista em luto pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, afirma que a presença física não é um requisito para que um vínculo tenha significado emocional.
“O vínculo não é dependente da convivência física. Quando acompanhamos alguém por um longo período, ouvimos sua voz e conhecemos seus pensamentos, esperamos por seus conteúdos e incorporamos essa presença na nossa vida cotidiana. Assim, essa pessoa passa a ocupar um espaço significativo em nossas vidas”, esclarece.
Esse tipo de relação é conhecido na psicologia e comunicação como vínculo parasocial. Trata-se de uma conexão em que uma pessoa sente proximidade com alguém que nunca conheceu pessoalmente. As redes sociais intensificaram esse fenômeno ao integrar influenciadores e figuras públicas no dia a dia dos seguidores.
Estudos sobre o luto decorrente da morte de celebridades mostram que a intensidade da reação está ligada ao grau de proximidade percebida e ao significado que a pessoa tinha para aqueles que a acompanhavam.
Um influenciador pode representar diversas facetas da vida, como interesses pessoais, fontes de informação ou até mesmo uma companhia diária. A morte também pode evocar sentimentos relacionados a outras perdas ou medos latentes.
“A morte de uma pessoa que seguimos nas redes pode tocar em outras perdas vividas ou em temores que já carregamos. Aquela figura pode se tornar um elo com emoções que estavam adormecidas dentro de nós”, ressalta Wlliane.
A vivência do luto muitas vezes também assume um caráter coletivo. Poucas horas após o falecimento de uma figura pública, as redes sociais se inundam com fotos, vídeos antigos, relatos emocionais e homenagens. Para aqueles que estão sofrendo, encontrar outras pessoas impactadas pela mesma perda pode oferecer acolhimento e um sentimento de pertencimento.
Por outro lado, a exposição constante a imagens e notícias pode manter os indivíduos em contato intenso com o luto. “É crucial perceber o que ajuda a processar esses sentimentos e o que pode se tornar pesado demais”, orienta a psicóloga.
No entendimento dela, o luto não é definido apenas pelo nível de intimidade entre as pessoas envolvidas, mas também pelo significado que aquela presença teve na vida dos enlutados.
“O sofrimento não precisa ser validado pela proximidade física entre as pessoas. Se alguém fez parte da nossa história de alguma forma, a dor pela sua morte merece reconhecimento”, conclui Wlliane.
O caso de Lito Sousa
Lito Sousa era mecânico de aeronaves, piloto e criador do canal Aviões e Músicas no YouTube, onde compartilhava informações sobre aviação e explicava tópicos técnicos ao público. Com mais de 3 milhões de inscritos, Lito se tornou uma referência no setor para os entusiastas da aviação.
No mês de agosto deste ano, ele divulgou ter sido diganosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e rapidamente progressiva. Embora tenha recebido tratamento experimental através do uso compassivo, ele faleceu 41 dias após anunciar sua condição.
A doença fez com que tanto a mídia quanto seus seguidores acompanhassem atentamente seus últimos momentos.








