Ação da Polícia Federal e da Receita Federal apura esquema envolvendo mineração ilegal, lavagem de dinheiro e envio de ouro para a Europa; Justiça determinou sequestro de mais de R$ 5,7 bilhões em bens
O Supermercado Nova Era, em Manaus (AM), foi alvo nesta quarta-feira (20) da Operação Emboabas, realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal. A ação investiga um suposto esquema criminoso envolvendo mineração ilegal, lavagem de dinheiro e contrabando de ouro para a Europa.
Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início após a prisão em flagrante de uma pessoa que transportava 35 quilos de ouro e que, conforme as apurações, pretendia entregar o material a dois norte-americanos, sócios de uma empresa sediada em Nova York.
A operação tem como objetivo desarticular uma organização suspeita de adquirir ouro extraído de terras indígenas e de leitos de rios com o uso de dragas. De acordo com as investigações, o grupo utilizaria documentos fraudulentos para declarar que o minério teria sido obtido a partir de permissões de lavra garimpeira regularmente constituídas.
As apurações também apontam que o principal investigado seria responsável pelo chamado “esquentamento” do ouro, utilizando um austríaco naturalizado brasileiro para dar aparência de legalidade ao minério. Segundo a PF, esse intermediário teria declarado possuir mais de R$ 20 bilhões em barras de ouro em um suposto país independente criado pelo próprio investigado.
No âmbito da operação, também foi determinada uma ordem de sequestro de bens que ultrapassa R$ 5,7 bilhões.
Os investigados poderão responder por crimes como usurpação de bens da União, organização criminosa, lavagem de dinheiro, extração ilegal de ouro, contrabando, falsidade ideológica e receptação qualificada, além de outros delitos que possam ser identificados durante o andamento das investigações.
A presença da Polícia Federal no Supermercado Nova Era foi confirmada pela assessoria da empresa. Em nota, o estabelecimento informou que a ação ocorreu na área administrativa e teve como finalidade, segundo a empresa, coletar informações relacionadas a exportações.
O Nova Era afirmou que disponibilizou acesso às documentações solicitadas e que está colaborando com a investigação. A empresa também declarou ter interesse em esclarecer os fatos e demonstrar que atua dentro da legalidade.







