PF inicia investigação sobre incêndio na UFPE após alegações de ameaças por parte de bolsonaristas

A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar as causas do incêndio que ocorreu no antigo edifício da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), localizado em Recife, na noite de quarta-feira (7). As chamas destruíram equipamentos, amostras e pesquisas científicas, mas não resultaram em feridos. A situação adquiriu um caráter político quando parlamentares, incluindo o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), relataram que estudantes teriam recebido ameaças antes do incêndio, mencionando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e fazendo alusão a “explodir o departamento.”

Investigação do Incêndio na UFPE

O incidente de grandes proporções atingiu o edifício da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) da UFPE, situado na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife, na noite de quarta-feira (7). Este prédio abrigava laboratórios dedicados às áreas de fármacos, informática e genética, além de instalações vinculadas ao Núcleo de Inovação Terapêutica. O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco mobilizou oito viaturas para combater as chamas e permaneceu no local até aproximadamente às 5h da manhã de quinta-feira (8). Não houve registro de vítimas.

A PF emitiu uma nota confirmando que instaurará um inquérito policial para investigar as circunstâncias e possíveis causas do incêndio. A corporação revelou que já está em contato com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, e com o comandante do Corpo de Bombeiros. Uma equipe de peritos federais foi enviada ao campus para realizar uma inspeção no local.

Ameaças Relacionadas ao Incêndio

<pJones Manoel (PSOL-PE) afirmou que alguns alunos da UFPE teriam recebido mensagens com ameaças explícitas direcionadas a departamentos da universidade pouco antes do incêndio. Segundo o deputado eleito, essas mensagens continham a expressão “explodir o departamento” e faziam referência direta à candidatura de Flávio Bolsonaro. Até agora, a autoria e a veracidade das mensagens não foram oficialmente verificadas. Jones Manoel também indicou sua intenção de solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre essas ameaças e a possibilidade de que o incêndio tenha sido causado por ato criminoso. Ele pediu que outros estudantes que tenham recebido comunicações semelhantes apresentem os registros pertinentes.

O incêndio aconteceu um dia após os alunos da UFPE realizarem uma manifestação contra Flávio Bolsonaro no campus, dentro de um contexto mais amplo de mobilizações a favor do ex-presidente Lula na universidade. Esse cenário político se complicou ainda mais quando foi revelado, em uma publicação do Blog do Ricardo Antunes na terça-feira (6), que o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE), aliado de Flávio Bolsonaro, havia afirmado estar organizando grupos anti-Lula nas universidades pernambucanas para atuar durante o segundo turno das eleições. Medina negou qualquer envolvimento com o incêndio ou as ameaças direcionadas aos estudantes. Até o momento, não existem evidências que estabeleçam uma relação causal entre as ameaças recebidas, as atividades dos grupos e o incêndio ocorrido.

Consequências e Outros Incidentes

O reitor Alfredo Gomes esteve presente durante a atuação dos bombeiros e confirmou que diversos equipamentos, amostras e trabalhos acadêmicos foram danificados. A avaliação dos danos ainda está em processo. Jones Manoel destacou que o prédio abrigava projetos sobre câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo, além das investigações realizadas por alunos em iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, declarou que o MEC está acompanhando a situação e mantendo contato com a reitoria da UFPE, colocando os recursos da pasta à disposição da universidade. O advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou à Procuradoria-Geral Federal que constitua uma comissão para acompanhar as investigações e tomar medidas jurídicas cabíveis se necessário.

 

“Anos de trabalho perdidos em projetos de IC por mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos”, relatou Jones Manoel ao comentar sobre o incêndio e as ameaças relacionadas a ele.

 

Este incidente foi o terceiro registrado na UFPE em um período inferior a dez dias. No dia 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física sofreu um incêndio cuja origem pode ter sido uma câmara de alta temperatura. Em 5 de outubro, outro fogo atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal no Centro de Biociências. Nenhum dos dois eventos anteriores resultou em feridos. A repetição desses episódios será um dos aspectos investigados pela Polícia Federal.

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