Projeto propõe apoio a homens com perfil violento antes de condenação por violência doméstica

Proposta de Rosana Valle altera a Lei Maria da Penha e prevê atendimento voluntário para homens identificados com indicativos de comportamento violento

Um projeto de lei apresentado pela deputada federal Rosana Valle propõe ampliar as ações de prevenção à violência doméstica por meio do atendimento a homens que apresentem perfil violento ou indicativos de comportamento que possam levar à prática de violência contra a mulher, mesmo antes de eventual condenação pela Justiça.

A proposta altera a Lei Maria da Penha, que atualmente prevê a criação de centros de educação e de reabilitação para agressores, mas não estabelece mecanismos específicos para atender homens identificados preventivamente como potenciais autores de violência.

De acordo com Rosana Valle, muitos casos de violência doméstica não chegam ao conhecimento das autoridades e, em determinadas situações, mulheres buscam alternativas antes que a situação resulte em uma denúncia ou em uma punição judicial. Nesse contexto, a parlamentar defende que ações de diálogo e conscientização também sejam utilizadas como instrumentos de prevenção.

“A mulher quer apoio também para o seu parceiro, que não é um criminoso, mas um indivíduo que reproduz uma cultura por ele vivida e absorvida, necessitando de uma ressignificação que ocorrerá por meio de reflexão”, afirma a deputada.

Pelo texto, a participação no serviço será voluntária. A identificação e análise do perfil comportamental poderão ser realizadas por profissionais das delegacias especializadas no atendimento à mulher. As unidades também poderão estabelecer parcerias com profissionais especializados em processos de conscientização e prevenção da violência.

A proposta busca atuar antes da ocorrência de novos episódios de violência, criando uma possibilidade de intervenção preventiva e de reflexão sobre comportamentos relacionados à violência doméstica e familiar.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso seja aprovado nas comissões, poderá seguir para as próximas etapas de tramitação na Câmara dos Deputados, conforme as regras do processo legislativo.

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