Adultos também devem vacinar-se contra HPV? Saiba quais situações SUS disponibiliza a vacina

O HPV (papilomavírus humano) não é um vírus que afeta apenas adolescentes. Embora a vacinação seja prioritariamente recomendada na infância e adolescência, alguns adultos também têm direito ao imunizante gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A vacina é a principal forma de prevenção contra a infecção pelo HPV, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo.

Cerca de 8 em cada 10 homens e mulheres sexualmente ativos terão contato com algum tipo de HPV ao longo da vida.

A questão é que isso não significa que qualquer adulto possa procurar uma unidade de saúde e receber a vacina pelo SUS. Atualmente, a oferta gratuita para maiores de 14 anos é destinada a grupos específicos, conforme as regras do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Quem pode tomar a vacina contra HPV pelo SUS na idade adulta?

Segundo o Ministério da Saúde, alguns grupos podem receber o imunizante até os 45 anos, mediante receita médica.

São eles: pessoas imunodeprimidas de 9 a 45 anos, incluindo pessoas vivendo com HIV/Aids, transplantadas e pacientes oncológicos; vítimas de abuso sexual de 15 a 45 anos, que recebem três doses; usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) de 15 a 45 anos, também em esquema de três doses; e pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir dos 2 anos, mediante indicação médica.

Para adultos desses grupos, o esquema é, em geral, de três doses, aplicadas no esquema 0, 2 e 6 meses. Há regras específicas para cada situação.

Já para a população geral, a recomendação de rotina é diferente: meninos e meninas de 9 a 14 anos recebem uma dose da vacina.

Além disso, em 2026 o Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro a estratégia de resgate para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados ou não têm registro da vacinação.

Vale lembrar que a rede privada também oferece as doses.

Quem já teve HPV pode tomar a vacina

Ter tido contato com o vírus anteriormente não impede a vacinação, desde que a pessoa esteja dentro de um dos grupos elegíveis pelo SUS.

O Ministério da Saúde explica que existem evidências de que a vacina pode ajudar a prevenir novas infecções ou reativação relacionadas aos tipos de HPV contemplados pelo imunizante, mas ela não funciona como tratamento para uma infecção já instalada.

Por isso, a vacinação é mais eficaz quando realizada antes da exposição ao vírus, razão pela qual a imunização de rotina acontece preferencialmente na adolescência.

De acordo com o Dr. Fábio Argenta, especialista em imunização, a proposta é trazer a vacinação para uma conversa mais próxima da rotina e do cuidado pessoal.

“Quando falamos em amor, também estamos falando sobre responsabilidade consigo mesmo, bem-estar e prevenção. A vacinação contra o HPV é uma forma de proteção individual, mas que também impacta coletivamente. Cuidar da própria saúde é um ato de carinho consigo e com as pessoas ao redor”, destaca.

Por que o HPV preocupa?

Existem mais de 100 tipos de HPV. A maioria das infecções desaparece espontaneamente, sem causar sintomas. O problema está principalmente nas infecções persistentes provocadas por tipos considerados de alto risco.

Elas podem provocar alterações celulares que, ao longo dos anos, podem evoluir para câncer. O HPV está relacionado não apenas ao câncer do colo do útero, mas também a tumores do ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe, além de verrugas genitais.

E os homens também estão diretamente envolvidos nessa história.

Um estudo publicado no The Lancet Global Health (disponível em inglês) e divulgado pela OMS estimou que quase um em cada três homens com mais de 15 anos tem algum tipo de HPV genital, enquanto um em cada cinco apresenta um tipo considerado de alto risco.

Vacinação já mostrou resultado no Brasil, segundo estudo

A importância da imunização ganhou uma evidência concreta em um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz Bahia.

Publicado na revista The Lancet, o trabalho analisou dados do SUS entre 2019 e 2023 e acompanhou mais de 60 milhões de mulheres-ano de 20 a 24 anos.

Entre aquelas que estavam na faixa etária indicada para vacinação, houve redução de 58% nos casos de câncer do colo do útero e de 67% nas lesões pré-cancerosas graves, classificadas como NIC 3.

Os resultados reforçam que a vacinação antes da exposição ao HPV pode produzir efeitos importantes na prevenção de doenças graves.

A vacina não substitui o preservativo

Não. A vacinação protege contra os tipos de HPV contemplados pelo imunizante, mas não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis. Além disso, a vacina não cobre todos os tipos existentes de HPV.

O uso de preservativos continua sendo recomendado. Ele reduz o risco de transmissão, embora não elimine completamente a possibilidade de infecção pelo HPV, já que o vírus pode estar presente em regiões da pele que não são cobertas pela camisinha.

Para mulheres, a prevenção também inclui o rastreamento do câncer do colo do útero, capaz de identificar alterações antes que elas evoluam para uma doença mais grave.

A vacinação, portanto, faz parte de uma estratégia de prevenção que envolve diferentes medidas ao longo da vida.

Detalhe importante sobre a nova indicação da vacina

Em 2025, a Anvisa aprovou uma nova indicação para a Gardasil 9, ampliando sua utilização na prevenção de cânceres de orofaringe e outros tumores de cabeça e pescoço relacionados ao HPV, para homens e mulheres de 9 a 45 anos.

Isso, porém, não significa que o SUS tenha ampliado automaticamente a vacinação gratuita para todos os adultos até 45 anos. A indicação da vacina na bula de um produto e os grupos contemplados pelo programa público de vacinação são questões diferentes.

É justamente aí que está a informação mais importante para quem é adulto: se você tem entre 15 e 45 anos e quer saber se pode receber a vacina gratuitamente, é necessário verificar se se enquadra em algum dos grupos contemplados pelo PNI.

A orientação pode ser obtida em uma unidade do SUS ou serviço de vacinação de referência.

Related Posts

Não precisa ir à academia: 5 dicas para se movimentar mais durante o dia sem sofrimento

Para se movimentar mais, não é obrigatório reservar uma hora do dia para ir à academia. Caminhar até um lugar próximo, subir escadas, cuidar da casa ou simplesmente levantar da cadeira durante o expediente são formas de incluir atividade física na rotina. O próprio Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da […]

Quanto tempo pode demorar o diagnóstico de autismo no Brasil, segundo estudo

O caminho entre os primeiros sinais de autismo percebidos pela família e a confirmação do diagnóstico pode levar anos no Brasil. Uma revisão de estudos liderada pelo Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe identificou um intervalo de até 49 meses entre a primeira preocupação dos cuidadores e o diagnóstico em serviços especializados. Esses meses representam […]

Deixe um comentário