Uma inovadora tecnologia baseada no uso de cabelo humano está sendo testada no Brasil como uma alternativa para conter poluentes em ambientes aquáticos. O experimento está sendo realizado na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e consiste em barreiras que conseguem absorver óleo e reter resíduos, auxiliando na recuperação de áreas degradadas.
O sistema é composto por rolos de cabelo humano envolvidos em malha de algodão, ligados a uma estrutura flutuante de cerca de 300 metros. Anteriormente utilizada para conter lixo sólido, a barreira foi atualizada com essa nova tecnologia para capturar também poluentes oleosos, aumentando sua eficácia na proteção ambiental.
Esta solução se beneficia de uma característica natural do material: estudos indicam que um grama de cabelo pode absorver até cinco gramas de óleo, tornando-o uma opção de baixo custo e muito eficiente na luta contra a poluição.
A liderança desse projeto está nas mãos das organizações Orla Sem Lixo Transforma e Fiotrar, com o suporte da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os fios utilizados são provenientes de doações e reciclagem, originalmente destinados ao descarte ou à produção de perucas para pacientes com câncer.
Essa é a primeira vez que essa tecnologia é aplicada em um ambiente natural no país, após um período de testes e adaptações às particularidades da baía ao longo do último ano.
Além de diminuir a presença de óleo e resíduos na água, o projeto visa proteger os manguezais da região, ecossistemas essenciais para a biodiversidade e para a mitigação de impactos climáticos. Ao evitar a contaminação dessas áreas, a tecnologia contribui para a preservação de espécies e para a manutenção dos serviços ambientais oferecidos pelos mangues.
De acordo com especialistas envolvidos, essa iniciativa demonstra como soluções simples, sustentáveis e acessíveis podem ser integradas na luta contra a poluição marinha. Com resultados positivos, espera-se que essa tecnologia possa ser reproduzida em outras regiões do Brasil e do mundo.








