Segundo o mais recente documento do Fundo Monetário Internacional (FMI), o World Economic Outlook publicado em abril de 2026, a dinâmica da inflação no cenário global terá impactos variados entre as diferentes regiões. Os países que devem sentir os efeitos mais severos dessa instabilidade são, em sua maioria, exportadores do setor primário, especialmente aqueles que dependem fortemente de commodities minerais e energéticas.
A inflação global está projetada em cerca de 4,4% anualmente. Apesar de sua relativa estabilidade em meio aos conflitos internacionais que afetam as cadeias de suprimentos energéticos, a inflação apresentará consequências distintas para nações desenvolvidas e aquelas em desenvolvimento.
Além disso, as estimativas para o crescimento global em 2026 foram ajustadas para baixo: a previsão caiu de 3,3% para 3,1%, impulsionada pelos efeitos dos conflitos no Oriente Médio.
O relatório destaca que o choque energético permanece como o principal fator de risco no ano atual, causando pressões inflacionárias sobre os preços da energia, insumos industriais e fertilizantes. Essa situação eleva os custos de produção e reduz o poder aquisitivo mundial.
No contexto atual, a economia do Oriente Médio e da Ásia Central deve enfrentar uma queda significativa no crescimento, passando de 3,6% em 2025 para apenas 1,9% em 2026.
O documento indica três principais mecanismos pelos quais a inflação será transmitida em 2026: aumento nos preços dos hidrocarbonetos, repasses para salários e preços finais, além do aumento nas taxas de juros devido à fuga de capitais e à pressão sobre moedas fortes como o dólar, que vivenciou uma queda em relação a moedas mais frágeis.
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Paises com as maiores taxas de inflação em 2026
- Venezuela — 387,4%
- Sudão — 75,1%
- Irã — 68,9%
- Argentina — 30,4%
- Turquia — 28,6%
- Iêmen — 26,5%
- Malawi — 24,4%
- Haiti — 23,5%
- Bolívia — 20,7%
- Myanmar — 19,0%
No topo da lista referente ao índice inflacionário baseado nos preços cobrados ao consumidor está a Venezuela com uma taxa alarmante de 387,4%. A hiperinflação enfrentada pelo país é um fenômeno estrutural resultante da longa dependência das exportações petrolíferas aliada a crises institucionais e ao financiamento do déficit por meio da emissão de dívida pública. Além disso, o colapso no setor petrolífero se deve à capacidade financeira limitada do Estado.
Dentre os dez países mencionados na lista, vários apresentam como característica comum a presença de conflitos armados ou isolamento internacional por conta de sanções econômicas. Sudão, Iémen e Myanmar estão entre os primeiros colocados devido a suas situações bélicas; enquanto o Irã enfrenta ataques coordenados pelos EUA e Israel que afetam algumas das principais cadeias produtivas e logísticas das commodities hidrocarbônicas globais.
A lista ainda inclui mais três nações latino-americanas além da Venezuela: Argentina, Bolívia e Haiti. A Argentina vive um quadro prolongado de inflação crônica gerada por desequilíbrios fiscais e políticas econômicas ultraliberais. A Bolívia enfrenta fragilidades externas devido à crise no seu setor exportador. Por outro lado, o Haiti passa por uma crise institucional prolongada.
Countries como Malawi e Sudão exemplificam também a vulnerabilidade das economias menos favorecidas frente a choques globais devido à sua alta dependência de importações essenciais para setores críticos como alimentação e combustíveis.
A avaliação do FMI sugere que as economias emergentes que dependem da importação de commodities continuarão sendo as mais impactadas pelo ciclo inflacionário atual que afeta o cenário econômico global.






