A expectativa de um novo fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 trouxe o assunto de volta à pauta das discussões climáticas. Este evento, que se caracteriza pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, tem potencial para modificar os padrões de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, as chances de que o El Niño se forme ao longo deste ano são elevadas. Essas probabilidades tendem a aumentar a partir da primavera, embora especialistas ressaltem que ainda é prematuro determinar a intensidade que esse fenômeno poderá apresentar.
O que é o El Niño?
O fenômeno El Niño se manifesta quando as temperaturas nas águas centrais e orientais do Pacífico Equatorial se elevam significativamente por um período prolongado. Contudo, não é suficiente que apenas as águas oceânicas aqueçam; é essencial que haja uma resposta atmosférica a essa alteração.
Essa interação provoca mudanças nos ventos, nas correntes oceânicas e nos padrões de precipitação. O El Niño é parte do ciclo denominado El Niño-Oscilação Sul, que abrange também o fenômeno oposto conhecido como La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas na mesma região do Pacífico.
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Informações científicas disponíveis
Estudos recentes indicam um aquecimento nas águas do Pacífico, inclusive em camadas inferiores. Meteorologistas estão atentos a esse sinal, pois pode ser um indicativo da formação do El Niño nos próximos meses.
Entretanto, os especialistas recomendam cautela nesse momento. Gilvan Sampaio, meteorologista do INPE, destaca que é cedo para afirmar a ocorrência de um El Niño intenso apenas com base nas temperaturas das águas. De acordo com ele, abril e maio são meses de transição climática, quando as previsões tendem a ser menos confiáveis.
Aspectos ainda incertos
As previsões que já consideram certas uma seca severa na Amazônia ou chuvas extremas no Sul carecem de respaldo científico neste momento. A intensidade do fenômeno permanece indefinida.
Com a chegada de junho, espera-se que os modelos climáticos apresentem maior precisão. Até lá, quaisquer projeções sobre impactos extremos devem ser encaradas como possibilidades e não como certezas definitivas.
Efeitos potenciais no Brasil
No Brasil, o fenômeno El Niño geralmente está ligado a um aumento das chuvas na região Sul, secas em partes da Amazônia e Nordeste, além de temperaturas superiores à média em áreas do Centro-Oeste e Sudeste.
Caso o fenômeno se concretize entre julho e agosto, uma possível consequência seria um inverno menos rigoroso no Sudeste e em parte do Sul, com maiores chances de ondas de calor. No Sul do país, os efeitos mais significativos normalmente ocorrem durante a primavera.
Mudanças climáticas influenciam mais
Especialistas enfatizam que o El Niño não atua isoladamente. Eventos extremos podem ocorrer independentemente desse fenômeno. O papel do El Niño é potencializar ou diminuir a probabilidade de certos padrões climáticos.
O cenário preocupante é agravado pelo aquecimento global. Segundo Gilvan Sampaio, as mudanças climáticas são o principal fator responsável pelo aumento da frequência de eventos extremos. O El Niño atua como um amplificador para chuvas intensas, secas e ondas de calor.
Monitoramento será fundamental
Os pesquisadores recomendam que se mantenha o acompanhamento através de fontes oficiais como o INPE strong > , CPTEC strong > e NOAA strong > , evitando conclusões precipitadas. p >
Nos próximos meses, o debate sobre o El Niño deverá intensificar-se na esfera pública; todavia, por enquanto, a ciência preconiza cautela: embora existam sinais relevantes no Pacífico, ainda não há certeza acerca da intensidade do fenômeno nem dos seus efeitos sobre o Brasil. p >








