Foguete nacional: projeto de lançador totalmente brasileiro avança para testes decisivos

O Microlançador Brasileiro (MLBR), um foguete orbital que resulta de uma parceria entre empresas nacionais e a Agência Espacial Brasileira (AEB), avançou para uma nova fase significativa: a realização de testes com os propelentes que abastecerão os estágios superiores do veículo.

Esse teste é crucial para confirmar a segurança e a eficácia dos procedimentos operacionais relacionados ao propelente ativo, responsável por gerar o empuxo necessário para o lançamento.

A iniciativa conta com um investimento de aproximadamente R$ 189 milhões, financiado pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos). O projeto é fruto da colaboração entre diversas empresas do setor aeroespacial e tecnológico. Em setembro de 2025, o MLBR já havia completado com êxito os testes do seu sistema de navegação inercial.

Com uma altura em torno de 12 metros, diâmetro de 1,1 metro e peso total próximo de 12 toneladas na plataforma de lançamento, o Microlançador Brasileiro é projetado para levar cargas úteis de até 40 quilos para a órbita baixa da Terra.

O principal objetivo deste programa é capacitar a indústria brasileira nas tecnologias essenciais para a exploração espacial. O MLBR, como primeiro experimento autônomo no setor, tem a missão de transportar pequenos satélites destinados ao monitoramento e às telecomunicações na órbita baixa terrestre.

Conforme informações da AEB, cada estágio do foguete possui uma demanda específica por propelente para garantir o empuxo necessário. Na fase inicial, estima-se que sejam usadas cerca de nove toneladas do combustível; na segunda fase, aproximadamente uma tonelada; e na terceira, cerca de 400 quilos do composto químico.

O propelente ativo consiste em uma mistura de combustível com oxidante, normalmente composto por perclorato de amônio e alumínio. No futuro, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) planeja utilizar propelentes líquidos ecológicos para o MLBR, combinando oxigênio líquido com etanol.

No teste anterior realizado em setembro de 2025, o MLBR validou seu Sistema de Navegação Inercial integrado ao GNSS, essencial para monitorar operações orbitais. As avaliações envolveram aeronaves monomotoras que garantiram a coleta eficaz dos dados do sistema do lançador, além dos sensores e métodos de navegação empregados.

Recentemente, em maio passado, a BIZU Space — empresa brasileira atuante no setor aeroespacial — conduziu o primeiro teste em voo do motor-foguete líquido ARION, que utiliza peróxido de hidrogênio como oxidante e querosene como combustível. Esse motor foi testado no banco T8 da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), localizada em São José dos Campos, sendo considerado um estágio superior na propulsão líquida do MLBR. O Ministério da Defesa classifica o ARION como Produto Estratégico de Defesa.

Anteriormente, as tecnologias brasileiras utilizadas para lançamentos eram predominantemente baseadas em motores com propelente sólido, como demonstrado no Veículo Lançador de Satélites (VLS). Este projeto estava sob responsabilidade do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) para a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), mas foi encerrado após três testes sem sucesso; o último deles resultou na explosão da plataforma em Alcântara, causando a morte de 21 técnicos civis e militares.

Os sistemas que utilizam propulsão líquida oferecem várias vantagens térmicas e proporcionam melhor controle sobre pressão e empuxo, além de serem considerados tecnologicamente mais avançados.

Após anos dedicados à reestruturação do setor espacial no Brasil, o MLBR está se preparando agora para testes críticos que possibilitarão um voo orbital previsto para ocorrer no segundo semestre de 2026.

Informações divulgadas pelas instituições parceiras no projeto indicam que os preparativos iniciais referentes aos propelentes sólidos dos estágios superiores foram finalizados e que os motores do MLBR já foram qualificados adequadamente.

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