Recentemente, fabricantes chineses do setor automobilístico têm revelado progressos significativos na criação de uma nova solução para a mobilidade urbana: os eVTOLs (veículos elétricos de decolagem e pouso vertical), conhecidos popularmente como “carros voadores”.
Nos últimos meses, informações internacionais indicam que empresas de tecnologia aeroespacial e automotiva da China têm acelerado seus testes e processos regulatórios. O objetivo é transformar protótipos em produção em massa de eVTOLs, dentro de uma abordagem conhecida como “economia de baixa altitude”.
Essa estratégia propõe uma logística automatizada para o transporte aéreo urbano, compartilhando o espaço aéreo com veículos voadores elétricos e drones, já em operação nos céus das grandes cidades chinesas.
Conforme reportagens do The New York Times, a China é responsável por mais de 70% da produção mundial de drones civis, concentrando sua indústria no polo tecnológico de Shenzhen. Esses drones variam desde entregas de alimentos até aplicações agrícolas para irrigação e fertilização.
No que diz respeito ao setor automotivo, os eVTOLs são vistos como a principal solução para mobilidade urbana rápida, sendo projetados para funcionar como táxis aéreos destinados ao transporte regional em distâncias curtas e médias.
A Aridge é a principal fabricante desse tipo de veículo e se beneficiará da infraestrutura fabril da XPeng, uma montadora de veículos inteligentes localizada em Guangzhou. A Aridge planeja iniciar a produção em massa de até cinco mil unidades anuais dos carros voadores a partir de 2026.
A empresa aguarda apenas as certificações finais necessárias para dar início à produção em larga escala.
A AutoFlight, com sede em Xangai, também fez anúncios relevantes ao revelar o maior carro voador do mundo, denominado Matrix.
Embora ainda esteja na fase de testes, o Matrix já realiza voos nas proximidades de Xangai, mas não está disponível comercialmente. Essa aeronave possui aproximadamente 17 metros de comprimento e cerca de 20 metros de envergadura, podendo operar a altitudes específicas durante algumas fases do voo e pouso vertical.
Desenvolvida tanto na versão para passageiros — capaz de acomodar até 10 pessoas — quanto em uma versão voltada para o transporte de cargas pesadas, essa aeronave ultrapassa os modelos tradicionais que costumam transportar no máximo seis passageiros.
A proposta dos eVTOLs visa aumentar a viabilidade econômica da mobilidade aérea nos centros urbanos densamente povoados, diminuindo o custo por passageiro em transportes privados e regionais.
A economia de baixa altitude já foi estabelecida como uma prioridade estratégica por Pequim para a mobilidade nas cidades, com previsões indicando que esse setor deve movimentar mais de um trilhão de yuans até 2035.
A Aliança Econômica de Baixa Altitude da China estima que até 2030 o país terá cerca de 100 mil táxis aéreos e veículos familiares voadores em operação.
A divisão aérea da XPeng, chamada XPeng AeroHT, também tem avançado rapidamente seus projetos relacionados à robótica humanoide e inteligência artificial integrada.
Dentre as iniciativas nesse campo estão os robôs humanoides que diferentes montadoras chinesas estão desenvolvendo. A BYD, líder global na área de veículos eletrificados, deve começar a comercializar seus robôs de serviço nas concessionárias nos próximos anos.
O robô da marca, denominado Yao-Shun-Yu, foi projetado não apenas para automatizar processos industriais — como muitas iniciativas semelhantes na China — mas sim para auxiliar humanos em diversas funções.
A expectativa é que esses robôs sejam utilizados inicialmente como recepcionistas multilíngues e atendentes nas concessionárias (lojas 4S), além de contribuírem nas linhas de montagem das fábricas da BYD.
Este robô já está na sétima geração do seu desenvolvimento e utiliza componentes semelhantes aos dos carros elétricos da empresa, incluindo motores, baterias, sensores e chips com inteligência artificial.
O parque industrial da BYD em Xi’an deverá ter uma capacidade produtiva anual estimada em até 50 mil unidades desse robô humanoide.








