Constantino sugere que Flávio Bolsonaro renuncie à sua candidatura

Na noite da última quarta-feira (25), um vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, não apenas abalou a pré-candidatura de seu enteado Flávio à presidência, mas também intensificou a crise no interior do bolsonarismo.

É importante ressaltar que as ligações de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, que é proprietário do Banco Master e atualmente preso por ser o líder da maior fraude bancária já registrada no Brasil, já haviam prejudicado a imagem do bolsonarismo, que sustenta sua candidatura.

Com o novo vídeo em que Michelle relata ter sido alvo de ataques e desqualificações por parte de Flávio, a situação se agravou. Influenciadores começaram a se manifestar abertamente, afirmando que as chances de Flávio vencer Lula nas eleições estão praticamente esgotadas.

Rodrigo Constantino, figura conhecida entre os apoiadores de Bolsonaro, utilizou as redes sociais nesta quinta-feira (26) para declarar que Flávio é o único pré-candidato ao Palácio da Alvorada que não tem capacidade de derrotar Lula, que busca reeleição. Com isso, Constantino sugere que o bolsonarismo deveria considerar outros nomes para a disputa presidencial.

“Chega de afirmar que Flávio é o único capaz de vencer Lula. Está evidente que ele pode ser, talvez, o único capaz de NÃO derrotá-lo em um segundo turno. O PT está adorando essa situação e provavelmente já está guardando suas cartas mais pesadas…”, declarou Constantino.

VÍDEO: Michelle critica Flávio Bolsonaro publicamente

A crise no Partido Liberal tomou proporções alarmantes e expôs fissuras significativas na liderança do bolsonarismo. Em um vídeo impactante postado nas redes sociais na quarta-feira (24), Michelle Bolsonaro, atual presidente nacional do PL Mulher, elevou o tom ao criticar frontalmente seu filho Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, acusando-o de desrespeito e humilhação.

A origem desse desentendimento público está ligada à complexa articulação política para as eleições estaduais no Ceará; no entanto, o desabafo da ex-primeira-dama evidenciou uma intensa violência política interna e machismo institucionalizado por parte do filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Ele retornou minha ligação. Mas sinceramente, teria sido melhor se não tivesse ligado. Foi muito ríspido e me tratou mal ao telefone. Eu não tinha feito nada contra ele”, revelou Michelle durante a gravação.

De acordo com Michelle, o senador buscou impor-se sobre ela com ordens diretas para que se afastasse das decisões importantes do partido, adotando um tom agressivo e condescendente. “Disse que seria melhor eu ficar fora das deliberações da legenda. Ele afirmou que eu tinha chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, relatou a ex-primeira-dama, expondo o racha tanto familiar quanto partidário.

O ponto central da discórdia: A campanha no Ceará

O pano de fundo dessa contenda é a formação do palanque do PL no Ceará. Michelle posicionou-se claramente contra uma articulação feita por líderes locais do partido — apoiados pelo deputado André Fernandes e aliados próximos de Jair Bolsonaro— para uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) já no primeiro turno das eleições estaduais.

Para Michelle, a direita deve apoiar desde o início a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE). Em sua perspectiva, unir-se a Ciro Gomes representa uma contradição política significativa, relembrando os ataques históricos do político contra Jair Bolsonaro e apontando sua contribuição para tornar o ex-presidente inelegível. Na semana anterior, ela já havia gerado polêmica ao afirmar que a direita não deveria negociar com “o mal”, estabelecendo uma linha vermelha clara contra aqueles que defendem pragmatismo para vencer o PT. Ela argumenta que um apoio ao pedetista só poderia ser considerado em uma eventual disputa no segundo turno.

A retaliação dos “irmãos”

A resposta da família Bolsonaro à insubordinação de Michelle foi rápida; porém, segundo ela mesma destacou, seguiu um padrão conhecido entre os membros do clã. No vídeo divulgado, Michelle acusou os filhos do ex-presidente de atuarem em conjunto para desacreditá-la perante seus apoiadores.

“Os irmãos se uniram de maneira coordenada; os textos eram muito semelhantes entre si. Parecia algo combinado”, denunciou.

Defesa da liderança feminina no PL

Em resposta às críticas feitas por Flávio sobre sua falta de conhecimento político e sobre seu suposto recente ingresso na política, Michelle utilizou os números expressivos da sua gestão frente ao PL Mulher como argumentos para justificar sua credibilidade como líder. Ela frisou que percorreu todo o Brasil promovendo diretorias em todos os 27 estados e no Distrito Federal e ajudou na eleição de 1.005 mulheres em 2024. Diante disso, lamentou que alguns ainda insistem em vê-la como alguém sem experiência política.

A ex-primeira-dama também negou veementemente os rumores sobre estar pressionando por candidaturas ou exigindo desculpas. Segundo ela, a disputa com Flávio começou muito antes de qualquer conversa sobre cargos ou projetos eleitorais e tem relação direta com questões de “respeito e consideração”.

A tensão entre essa importante liderança feminina dentro do partido e o pré-candidato à presidência coloca em evidência as disputas internas pela influência e narrativa dentro da oposição até o momento das convenções partidárias.

Assista ao vídeo:

https://x.com/ErikakHilton/status/2069900552851390665

 

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