SpaceX se prepara para novo lançamento do Starship após análise de falha pela FAA

A SpaceX programou o lançamento do seu megafoguete Starship para esta quinta-feira (16), às 19h45, no horário de Brasília, a partir da base Starbase, localizada no Texas, EUA. Este será o 13º voo de teste e ocorrerá apenas três dias após a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) concluir a investigação sobre a falha do propulsor Super Heavy na missão anterior.

Durante este novo teste, o Starship transportará 20 unidades de demonstração dos satélites Starlink V3. A missão também avaliará as modificações implementadas pela SpaceX nos sistemas de propulsão, no hardware e no software do foguete. A programação do lançamento foi inicialmente divulgada pela Folha de S.Paulo e consta nos registros oficiais de operações aéreas da FAA.

A agência reguladora americana estabeleceu uma janela principal de lançamento entre 22h45 desta quinta-feira e 0h56 de sexta-feira, considerando o horário universal. Caso a SpaceX precise adiar a missão devido a problemas técnicos, meteorológicos ou operacionais, uma nova janela foi reservada para sexta-feira (17).

SpaceX realiza teste do Starship após falha do Super Heavy

Este 13º voo representa a primeira missão do megafoguete após a conclusão da investigação referente ao Starship Flight 12, que ocorreu em 22 de maio. Naquela ocasião, uma anomalia afetou o Super Heavy durante seu retorno sobre o golfo do México, logo após a separação entre o propulsor e a nave.

Em um comunicado publicado em 13 de julho, a Administração Federal de Aviação anunciou que havia finalizado sua investigação sobre o voo 12 do Starship. A FAA afirmou que não foram registrados feridos ou danos a propriedades públicas durante o incidente.

O relatório aceito pela FAA identificou duas prováveis causas para a falha no propulsor Super Heavy: os efeitos térmicos em componentes do sistema de propulsão durante a subida e configurações inadequadas no sistema de alerta dos motores.

A SpaceX apresentou quatro medidas corretivas para prevenir novas ocorrências semelhantes. As mudanças incluem atualizações nas configurações tanto do hardware quanto do software do Starship. A FAA deu autorização à empresa de Elon Musk para prosseguir com o voo 13, desde que todos os critérios de segurança e licenciamento sejam atendidos.

A sequência das falhas reflete as dificuldades enfrentadas no desenvolvimento do maior sistema de lançamento concebido pela SpaceX. Em cobertura anterior, foi relatado um incidente em que um Starship explodiu poucos minutos após a descolagem no Texas, evento que resultou na destruição da nave antes da finalização do teste.

Starship Flight 13 transportará satélites Starlink V3

No Starship Flight 13, estarão presentes 20 simuladores ou unidades de teste dos satélites Starlink V3. O objetivo é avaliar o sistema responsável pela liberação das cargas no espaço, etapa essencial para possibilitar que o megafoguete transporte a próxima geração da constelação de internet desenvolvida pela SpaceX.

Os novos satélites Starlink V3 possuem dimensões maiores em comparação aos equipamentos atualmente lançados pelos foguetes Falcon 9. A SpaceX planeja utilizar toda a capacidade de carga do Starship para expandir sua rede de internet orbital e colocar mais equipamentos em cada missão realizada.

A evolução da constelação Starlink está alinhada com os objetivos comerciais e tecnológicos de Elon Musk. Em fevereiro, foi revelado que tanto a SpaceX quanto a xAI pretendem aumentar suas estruturas para processamento de dados no espaço, utilizando o Starship para transportar grandes cargas até a órbita terrestre.

No voo previsto para esta quinta-feira, espera-se que a nave se separe do Super Heavy e siga uma trajetória suborbital. O propulsor tentará realizar uma descida controlada sobre o golfo do México, sem ser capturado pelos braços mecânicos da torre de lançamento.

A parte superior do Starship deverá atravessar o espaço antes de retornar à atmosfera e finalizar sua missão com um pouso controlado no oceano Índico. A duração total deste teste deve ser ligeiramente superior a uma hora.

FAA supervisiona lançamento em Starbase

Tanto o Starship quanto o Super Heavy são lançados na área conhecida como Boca Chica, renomeada como Starbase pela SpaceX, situada no condado de Cameron, Texas. Para realizar essa operação, é necessária uma licença emitida pela FAA, órgão encarregado da regulamentação dos lançamentos e reentradas comerciais nos Estados Unidos.

No site oficial referente às operações do Starship em Boca Chica, a FAA informa que avalia riscos à população local, características das cargas transportadas, seguros necessários, questões relacionadas à segurança nacional e impactos ambientais antes de conceder ou modificar qualquer licença.

A agência autorizou até 25 lançamentos anuais do sistema Starship-Super Heavy em Boca Chica e também até 25 pousos por estágio. Contudo, essa autorização não dispensa avaliações operacionais e considerações sobre segurança antes de cada missão específica.

A supervisão do espaço aéreo tornou-se ainda mais relevante após incidentes anteriores envolvendo foguetes da SpaceX. Em janeiro de 2025, por exemplo, uma explosão resultante da queda dos destroços do Starship levou à alteração das rotas aéreas na região caribenha.

Starship é parte integrante do programa lunar Artemis da Nasa

A além da função de transporte dos satélites Starlink, o Starship integra também o programa lunar Artemis, desenvolvido pela Nasa. A agência espacial americana contratou os serviços da SpaceX para criar uma versão especializada da nave destinada ao transporte seguro dos astronautas entre a órbita lunar e a superfície lunar.

A Nasa designa oficialmente o Starship como parte dos sistemas destinados ao pouso humano dentro deste programa lunar. A versão projetada especificamente para essa finalidade é chamada Starship Human Landing System e deverá realizar missões futuras levando tripulantes entre as duas órbitas.

No entanto, ainda existem etapas essenciais que não foram concluídas nesse desenvolvimento; isso inclui demonstrações práticas relacionadas ao reabastecimento em órbita e pousos lunares sem tripulação seguidos por operações seguras com astronautas. Uma auditoria realizada pelo órgão fiscalizador da Nasa apontou que dificuldades ligadas ao progresso dos módulos lunares podem resultar em novos atrasos cronológicos para as missões Artemis.

Dessa forma, o voo agendado para esta quinta-feira não se limita somente ao teste de um foguete voltado à rede Starlink; os resultados obtidos com o Starship Flight 13 terão repercussões significativas tanto nos planos comerciais da SpaceX quanto nas iniciativas lunares desenvolvidas pela Nasa. Além disso, esse teste está ligado à ambição pessoal de Elon Musk em transformar seu megafoguete em um sistema totalmente reutilizável.

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