Uma empresa australiana, responsável pelo Projeto Araxá, que realiza a extração de elementos de terras raras na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais, assinou um memorando com uma empresa mineira de nanotecnologia para fornecer minério para a cadeia de produção de nanotecnologias.
O acordo estabelece que a empresa australiana irá minerar e fornecer cério, um elemento do grupo de terras raras com aplicações industriais importantes, como catalisadores, vidros e ligas metálicas.
A empresa mineira, localizada em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, já está produzindo óxido de cério, um derivado de terras raras, que serve como catalisador em reações químicas complexas para reduzir a oxidação de componentes automotivos.
As nanopartículas de cério podem ser utilizadas em processos de remediação ambiental, células de combustível e até mesmo na biomedicina, devido à sua capacidade de neutralizar radicais livres, moléculas que causam danos às células saudáveis do organismo.
Com o memorando assinado, as empresas realizarão testes químicos e estudos de processamento para avaliar a viabilidade técnica e econômica da produção industrial de compostos à base de cério, aumentando assim o valor do minério na cadeia produtiva para novas tecnologias industriais.
A expectativa é extrair a primeira tonelada do material da planta-piloto ainda este ano, com operações completas previstas para 2029. O cério processado também será utilizado como aditivo para o diesel, proporcionando uma economia média de 10% no consumo de combustível e redução das emissões de carbono.
O Brasil atualmente depende muito da importação de produtos de cério, sendo a China o maior fornecedor. A mina de Araxá, um dos maiores empreendimentos de terras raras fora da China, já possui grandes recursos minerais de terras raras e nióbio.
Além disso, a empresa australiana está em negociações com uma empresa norte-americana de terras raras para vender até 40% da produção futura das terras raras originadas do Projeto Araxá.








