Brasil brilha na Semana Mundial do Espaço com avanços em pesquisa e lançamentos de satélites em parceria global

Quando se menciona a exploração espacial, é comum pensar imediatamente em lançamentos de foguetes e missões grandiosas. Entretanto, uma parte significativa da atividade espacial brasileira ocorre em locais menos visíveis, como laboratórios e centros de pesquisa, onde se desenvolvem satélites, sensores e sistemas que geram informações sobre o território nacional.

O Brasil possui um programa espacial bem estruturado, tendo ao longo das últimas décadas criado satélites próprios e colaborado em missões com outras nações. O planejamento desta área é coordenado pelo Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), que traça as diretrizes para o setor entre 2022 e 2031.

Um dos satélites mais emblemáticos é o Amazonia-1, que se destaca por ser o primeiro satélite de observação da Terra totalmente projetado, integrado, testado e operado por brasileiros. Este equipamento foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e lançado em 28 de fevereiro de 2021, na Índia.

As imagens geradas pelo Amazonia-1 podem ser consultadas em um catálogo por data.

Em fevereiro de 2026, o satélite completará cinco anos orbitando a Terra. Embora sua vida útil inicial estivesse prevista para quatro anos, segundo o instituto responsável, o satélite continua ativo e já completou mais de 26 mil órbitas. As imagens obtidas são empregadas no monitoramento de biomas, áreas agrícolas, reservatórios hídricos, zonas costeiras e regiões afetadas por desastres ambientais.

Colaboração com a China há quase 40 anos

A trajetória do Brasil na exploração espacial também é marcada pelo programa CBERS, ou Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres. Esta iniciativa teve início em 1988 e se consolidou como uma das principais colaborações espaciais entre Brasil e China.

No início da série CBERS, os países investiram proporcionalmente diferentes quantias. Nos satélites CBERS-1, 2 e 2B, o Brasil contribuiu com 30% do financiamento enquanto a China ficou responsável pelos restantes 70%. Contudo, a partir dos CBERS-3, 4 e 04A, essa divisão passou a ser igualitária, com 50% para cada nação.

A cooperação também abrange aspectos tecnológicos. No caso do CBERS-06, equipes brasileiras e chinesas estão atuando em conjunto. O módulo de serviço deste satélite é responsabilidade do Brasil, enquanto a China cuida do módulo destinado à carga útil. Em 2025, foram realizados testes de comunicação entre os sistemas pelo INPE e pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST).

A nova missão contará ainda com um radar de abertura sintética que possibilita a obtenção de imagens mesmo à noite ou sob condições adversas como nuvens ou chuvas. Essa tecnologia é especialmente valiosa para o monitoramento contínuo da Amazônia.

Os dados gerados pela família CBERS têm aplicações que vão além das pesquisas acadêmicas. Segundo informações do INPE, as imagens são utilizadas para acompanhar o desmatamento e queimadas na Amazônia, além de monitorar recursos hídricos, áreas agrícolas, crescimento urbano e uso do solo.

Desenvolvimento conjunto com a Alemanha para medir gases poluentes

A colaboração internacional no setor espacial brasileiro também está se expandindo com novos projetos.

Dentre eles está o CO2Image, uma parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). A missão tem como objetivo detection and quantification of carbon dioxide (CO₂) and methane (CH₄) emissions from specific sources.

Neste projeto, o Brasil não atua apenas como receptor dos dados. O INPE ficará encarregado do desenvolvimento do módulo de serviço do satélite baseado na plataforma P100 brasileira; esta nova plataforma multimissão pesa cerca de 100 quilos e foi criada pelo instituto.

A Alemanha será responsável pela carga útil do satélite, incluindo o sensor destinado ao monitoramento dos gases. Este instrumento terá uma resolução espacial de 50 metros; em comparação, outros equipamentos brasileiros planejados para essa função possuem resoluções ao redor de 2 quilômetros.

Para o INPE, essa missão representa uma oportunidade para aplicar anos de experiência acumulada em engenharia espacial. A P100 incorpora parte desse conhecimento e foi projetada para diminuir custos e tempo no desenvolvimento de novas missões.

Novos satélites brasileiros em desenvolvimento

Dentre os projetos futuros está o Amazonia-1B vinculado à missão AQUAE que visa monitorar recursos hídricos continentais e marinhos além da atmosfera e das condições meteorológicas. Este projeto está também associado à iniciativa internacional SABIA-Mar realizada em parceria com a Argentina.

A previsão é que o lançamento do Amazonia-1B ocorra em 2027, partindo do Centro Espacial Europeu em Kourou na Guiana Francesa dentro de um foguete Vega-C.

A Agência Espacial Brasileira continua a manter um portfólio diversificado de missões em diferentes fases de execução. Em 2026 houve uma atualização no painel que monitora as atividades do setor para incluir novas propostas juntamente com aquelas já em andamento no PNAE.

Dentre os investimentos programados estão iniciativas focadas no desenvolvimento tecnológico espacial. Um dos termos descentralizados assinados pela AEB em 2026 destina R$ 1,86 milhão ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) para a criação de um protótipo funcional de motor-foguete utilizando propelente líquido.

Pesquisa espacial voltada para aplicações terrestres

A evolução dos programas espaciais brasileiros demonstra que a pesquisa não se limita à colocação de equipamentos em órbita. Os satélites destinados à observação são ferramentas valiosas para gerar dados utilizados no monitoramento da agricultura, recursos hídricos, urbanização e alterações ambientais.

O modelo adotado pelo Brasil combina tanto desenvolvimento interno quanto parcerias internacionais. O Amazonia-1 foi dentro do país; enquanto o CBERS resulta da colaboração contínua com a China; o CO2Image une esforços tecnológicos brasileiros e alemães; novas iniciativas também contam com cooperação internacional.

Tais colaborações possibilitam ao país desenvolver competências próprias ao mesmo tempo que compartilha custos infraestrutura e conhecimentos com parceiros estrangeiros.

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