Planejada para ser o primeiro voo tripulado rumo à Lua desde o fim do Programa Apollo, há 53 anos, a expedição Artemis II, da agência espacial norte-americana (NASA), faz história também com a composição de sua tripulação: pela primeira vez, a nave vai transportar à órbita lunar uma astronauta mulher, um homem negro e um cidadão de fora dos EUA.
O lançamento da cápsula Orion, espaçonave tripulada desenvolvida pela agência para missões no espaço profundo (que se dão para além da órbita terrestre), vai ocorrer nesta quarta-feira (1) a partir do Kennedy Space Center, se as condições climáticas forem favoráveis, afirma a agência.
Caso contrário, o lançamento pode ser adiado para a próxima janela disponível, a partir do dia 30 do próximo mês.
A tripulação do ensaio operacional que pode retomar a presença continuada da humanidade na Lua (a NASA pretende instalar lá uma base permanente) é formada por quatro astronautas: o comandante Reid Wiseman, os especialistas de missão Christina Koch e Jeremy Hansen e o piloto Victor Glover.
O comandante da missão, Reid Wiseman, é um veterano da exploração orbital que já serviu como oficial da Marinha norte-americana e piloto naval.
Antes do voo desta quarta, Wiseman já havia sido parte da tripulação norte-americana da Estação Espacial Internacional (ISS), em 2014, quando conduziu caminhadas espaciais e operações em microgravidade.
Koch marca a missão da NASA como a primeira mulher a participar de uma missão tripulada ao redor da Lua. Ela é engenheira elétrica e vai servir na Artemis II como especialista de missão, responsável por gerenciar sistemas da espaçonave, realizar experimentos científicos, operar cargas úteis e executar atividades extraveiculares, com foco na segurança da equipe tripulada.
Koch também é uma astronauta com experiência: ela bateu, entre 2019 e 2020, o recorde feminino de permanência contínua no espaço — ficou “embarcada” durante 328 dias a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), quando realizou experimentos científicos que incluíam estudos botânicos em microgravidade e seis caminhadas espaciais, das quais também foi pioneira. Junto com a astronauta Jessica Meir, Koch conduziu a primeira caminhada espacial feminina.
Na missão atual, ela vai cuidar da supervisão de experimentos, dos sistemas de suporte à vida e da integração de dados científicos coletados na missão.
O piloto da missão, Victor Glover, já foi o primeiro astronauta negro a integrar uma missão de longa duração na ISS, durante a Crew-1 (entre 2020 e 2021). Glover, que vai comandar a operação da Orion spacecraft na Artemis II, é engenheiro e piloto de testes, e já serviu como aviador na Marinha norte-americana. Ele também se torna, agora, o primeiro homem negro a ser transportado à órbita lunar, o que marca mais um pioneirismo da expedição.
Completando a tripulação, o canadense Jeremy Hansen, vinculado à Canadian Space Agency, será o primeiro não norte-americano a integrar uma missão lunar da NASA. O especialista de missão é físico e também já trabalhou como “aquanauta”, mergulhador de habitats submarinos profundos. Ele será o primeiro canadense a viajar até a órbita da Lua.
A missão da NASA não vai pousar na superfície do astro. O plano é executar um “voo circumlunar”, que chega mais perto da Lua do que qualquer ser humano desde 1972, a fim de validar, em ambiente real, sistemas de suporte à vida, navegação autônoma, comunicações em espaço profundo e reentrada em alta velocidade.
Esses sistemas devem ser essenciais para futuras missões de pouso, como as Artemis III e IV, que pretendem, respectivamente, levar astronautas à superfície lunar novamente e então ampliar a infraestrutura orbital e preparar mais missões de longo prazo.








