Denúncia: Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é acusada de lavar dinheiro de miliciano, que é seu filho

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) formalizou uma denúncia contra Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela é acusada de participar de uma rede de lavagem de dinheiro para ocultar recursos provenientes da contravenção e do jogo do bicho controlados por seu filho, o miliciano Adriano da Nóbrega, falecido em 2020.

A denúncia aponta que Raimunda fazia parte de uma estrutura composta por empresas de fachada que movimentaram cerca de R$ 8,5 milhões. Entre os negócios utilizados para dar aparência lícita ao dinheiro ilícito, os investigadores identificaram depósitos de bebidas, bares e até um quiosque de serviços de sobrancelha em um shopping da Zona Norte, que movimentou R$ 2 milhões em seis meses.

Conexões políticas e o caso das “rachadinhas”

Raimunda trabalhou com Flávio Bolsonaro, que atualmente é senador e pré-candidato à Presidência da República, entre abril de 2016 e novembro de 2018. Ela já havia sido investigada no esquema de “rachadinha” no antigo gabinete do parlamentar, processo que foi arquivado após decisões dos tribunais superiores (STJ e STF) que anularam as provas.

Expansão da organização criminosa

As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado) revelam que a estrutura criminosa de Adriano da Nóbrega não apenas sobreviveu à sua morte, como se sofisticou. O MP-RJ ofereceu três denúncias distintas que detalham:

  • Liderança de Julia Lotufo: A viúva do miliciano é apontada como peça-chave na contabilidade e controle de ativos, operando negócios de agiotagem e mercado imobiliário irregular.

  • Envolvimento de parlamentar: O deputado federal Juninho do Pneu também foi denunciado. Ele é acusado de adquirir bens de Adriano, avaliados em R$ 3,5 milhões, mesmo tendo conhecimento da origem ilícita do patrimônio.

  • Rede de matadores: Uma das ações penais foca na manutenção de um grupo de matadores de aluguel que prestava serviços à organização.

Segundo os promotores, o grupo tinha associação próxima com o bicheiro Bernardo Bello para o controle de pontos de jogo em Copacabana. A Justiça deve decidir se aceita as denúncias, tornando os envolvidos réus no processo que investiga a ocultação de patrimônio e as atividades da milícia no Rio de Janeiro.

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