Pesquisadores do Instituto Fritz Lipmann, na Alemanha, realizaram um estudo que revelou um mecanismo capaz de elucidar a diminuição da energia nas células à medida que envelhecemos.
A investigação, divulgada na revista Nature Communications, demonstrou que a redução nos níveis de fosfatidilcolina, uma lipídio encontrado nas membranas celulares, está relacionada ao comprometimento das mitocôndrias, as organelas que desempenham o papel de geradoras de energia no corpo humano.
As mitocôndrias atuam como pequenas usinas dentro das células e necessitam de membranas saudáveis e flexíveis para funcionar adequadamente. Os cientistas observaram que, com o avanço da idade, os genes responsáveis pela produção de fosfatidilcolina apresentam menor atividade. Como resultado, as mitocôndrias perdem parte da habilidade de se conectar e distribuir energia eficientemente.
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Durante os experimentos, os pesquisadores utilizaram vermes como modelo e também analisaram tecidos e células humanas em ambiente laboratorial. A adição de fosfatidilcolina ou colina, um nutriente convertido pelo organismo nessa substância, à dieta dos vermes resultou em uma recuperação das características das mitocôndrias, tornando-as mais semelhantes às de organismos jovens.
Os cientistas ficaram impressionados com a magnitude da resposta observada. A molécula teve um impacto significativo na estrutura, conectividade e funcionamento das mitocôndrias.
Além disso, o estudo identificou diferenças entre os gêneros. Nos homens, a diminuição dos níveis de fosfatidilcolina tende a ser gradual. Em contraste, nas mulheres, essa redução se acentua durante a menopausa, fase em que muitas relatam sentir fadiga e perda de energia.
Análises em amostras humanas revelaram que níveis baixos dessa substância eram mais comuns entre indivíduos com diabetes ou obesidade. Por outro lado, quantidades elevadas estavam ligadas a um melhor desempenho em medidas relacionadas ao envelhecimento saudável, como velocidade na caminhada e preservação da memória.
Os pesquisadores enfatizam que a reversão do desgaste foi observada apenas em vermes até o momento e não em ensaios clínicos com humanos. Portanto, ainda não é possível garantir que a suplementação teria efeitos semelhantes nas pessoas.
Essa descoberta é considerada significativa porque o funcionamento inadequado das mitocôndrias está vinculado a várias doenças crônicas, como diabetes, câncer e distúrbios neurodegenerativos. O próximo passo será aprofundar a investigação sobre como a diminuição da fosfatidilcolina afeta as membranas mitocondriais.
Para os autores do estudo, esses resultados sugerem que certos aspectos do envelhecimento celular podem ser alterados caso os mecanismos envolvidos sejam compreendidos mais profundamente.








