Uma recente pesquisa realizada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) revelou a existência de uma nova espécie de anfíbio que habitou a Terra há aproximadamente 280 milhões de anos, durante o período Permiano. Os resultados do estudo foram publicados na renomada revista científica Proceedings of the Royal Society B e destacam as características únicas desse animal.
Denominado como Tanyka amnicola, o fóssil se destaca pelo formato incomum da mandíbula e pela disposição dos dentes. Essas características sugerem um padrão alimentar diferente do comumente observado em anfíbios, indicando que essa espécie poderia se alimentar de plantas, algo pouco frequente nesse grupo de animais tradicionalmente carnívoros.
Características únicas
Apesar de pertencer ao grupo dos tetrápodes, que inclui vertebrados de quatro membros como anfíbios, répteis e mamíferos, o Tanyka amnicola apresenta características consideradas primitivas, o que levou os pesquisadores a classificá-lo como um tetrápode basal.
Destacam-se como singularidades o formato irregular da mandíbula e a disposição lateral dos dentes, características consideradas fora do padrão para esse grupo de animais, conforme descrito pela equipe de pesquisa.
Descoberta na Região Nordeste
Os fósseis foram encontrados nos municípios de Nazária (PI), Timon e Pastos Bons (MA). Foram identificadas nove mandíbulas pertencentes à mesma espécie, em uma região que hoje abriga a Floresta Fóssil do Rio Poty, destacando-se como um importante local para estudos paleontológicos.
A pesquisa demandou mais de uma década, iniciando-se em 2012 e concluindo em 2023. Durante esse tempo, os fósseis passaram por análises e processos de limpeza, realizados inclusive em instituições internacionais como o Museu de História Natural de Chicago.
Participaram do estudo pesquisadores dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido. Atualmente, mais de mil fósseis coletados na região estão sob a custódia da UFPI, ampliando o conhecimento sobre os primeiros vertebrados terrestres e evidenciando o potencial científico da região Nordeste do Brasil na descoberta de novas informações sobre a evolução da vida no planeta.
Essa descoberta representa uma importante contribuição para o campo da paleontologia e ressalta a importância das pesquisas científicas na região Nordeste, que continuam a revelar pistas fundamentais sobre a história da vida na Terra.








