Novo governador do RJ é “eleito” aliado de Cláudio Castro

A estratégia do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), tem se mostrado bem-sucedida, ao menos até agora. Após renunciar ao cargo, Castro conseguiu colocar um aliado como novo mandatário do estado fluminense.

Nesta quinta-feira (26), a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Alerj, que assume, por linha sucessória, o cargo de governador em exercício do Rio.

Dessa forma, o PL permanece no controle da máquina pública, o que beneficia Douglas Ruas, que foi anunciado como pré-candidato ao Palácio de Guanabara pelo partido em novembro.

A eleição indireta conduzida pela Alerj teve a participação de 46 deputados, de um total de 70, pois a oposição boicotou o processo e planeja contestá-lo judicialmente. Douglas recebeu 45 votos.

TSE decide tornar Cláudio Castro inelegível

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria nesta terça-feira (24) para tornar inelegível o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

As ministras Maria Isabel Galotti, Estela Aranha e Cármen Lúcia, juntamente com os ministros Floriano de Azevedo Marques e Antônio Carlos Ferreira votaram a favor da inelegibilidade de Cláudio Castro. Kássio Nunes e André Mendonça foram contra.

Mesmo após renunciar ao cargo de governador na segunda-feira (23), Cláudio Castro está inelegível pelos próximos oito anos e não poderá concorrer ao Senado.

Estratégia para evitar a inelegibilidade

A decisão de renunciar antes do desfecho judicial é vista como uma manobra política. Castro espera que, fora do cargo, o processo no TSE perca sua validade, o que poderia, em teoria, evitar a inelegibilidade e permitir sua candidatura ao Senado.

No entanto, essa interpretação não é unânime entre especialistas. Alguns juristas acreditam que a renúncia não o isenta de possíveis sanções eleitorais, especialmente dada a gravidade das acusações.

Governador interino

Com a renúncia, o estado do Rio de Janeiro enfrenta um período de instabilidade política. Sem vice-governador, a chefia do Executivo deve ser assumida temporariamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.

A Assembleia Legislativa (Alerj) terá a tarefa de eleger, de forma indireta, um governador interino, que cumprirá o mandato até dezembro.

No entanto, o processo ainda está envolto em incertezas, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu as regras estabelecidas para essa eleição indireta, deixando aspectos essenciais, como critérios e formato da escolha, indefinidos.

Disputa política se intensifica no estado

A renúncia de Castro ocorre em meio a um cenário político já tumultuado. O episódio acirra a disputa com adversários, especialmente com o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que renunciou à prefeitura recentemente para concorrer ao governo do estado e acusou o atual governador de tentar escapar da Justiça.

A sucessão estadual adquire novos contornos, com a escolha do governador interino influenciando diretamente o cenário eleitoral futuro.

 

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