Pesquisadores brasileiros conseguiram desenvolver uma nova técnica para fabricar nanopartículas de prata de maneira mais segura e sustentável. A grande inovação consiste no uso de extrato de arnica brasileira como substituto de reagentes químicos tóxicos presentes nos métodos convencionais.
Essas nanopartículas são encontradas em diversos produtos, como curativos, dispositivos médicos, cosméticos e embalagens de alimentos, graças às suas propriedades antimicrobianas, antifúngicas e antivirais. Embora sejam muito úteis, a produção tradicional pode gerar impactos negativos, como toxicidade ambiental e prejuízos à saúde, como morte celular e acumulação no meio ambiente.
Método que prioriza a síntese verde
A solução foi concebida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP. No procedimento, a arnica atua como um agente natural capaz de converter íons metálicos em nanopartículas, eliminando a necessidade de substâncias agressivas.
O propósito é reduzir ou eliminar o uso de solventes perigosos e diminuir o consumo de energia, conforme explicou o pesquisador Paulo Augusto Marques Chagas, que faz parte da equipe.
A iniciativa teve origem em estudos realizados no Laboratório de Controle Ambiental da UFSCar, que já explorava alternativas sustentáveis com materiais reciclados. A busca por uma abordagem mais sustentável levou à utilização da planta brasileira como base do processo.
A tecnologia já teve um pedido de patente registrado e está na etapa final de desenvolvimento. Os pesquisadores também estão avançando na publicação de um artigo científico e na implementação prática da descoberta.
Uma das aplicações em teste é a incorporação das nanopartículas em nanofibras para filtragem de ar com ação antibacteriana, o que poderá abrir caminho para novos equipamentos voltados à saúde.
A expectativa é que essa técnica ajude a reduzir os impactos ambientais sem comprometer a eficácia dos materiais utilizados pela indústria.
*Com informações de Jornal USP








