Após mais de seis semanas de hostilidades, Israel e Líbano firmaram um acordo de cessar-fogo, conforme anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele atuou como mediador principal nas discussões realizadas em Washington.
Em uma publicação na plataforma Truth Social, Trump revelou que teve conversas individuais com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun.
“Os dois mandatários concordaram em iniciar formalmente um cessar-fogo para estabelecer a paz entre suas nações”, afirmou o presidente americano.
Na terça-feira, as delegações de ambos os países se encontraram pela primeira vez diretamente em várias décadas, no território americano. Desde a fundação do Estado de Israel em 1948, Israel e Líbano estão tecnicamente em guerra. O encontro também marcou a maior interação entre os dois países desde 1993.
Joseph Aoun já havia expressado anteriormente a intenção de Beirute de reduzir as tensões no sul do Líbano e em outras áreas do país, visando, segundo ele, “evitar a destruição de lares em cidades e vilas”.
Fragilidade do acordo
O cessar-fogo mediado por Trump não implica na retirada das forças israelenses das regiões do sul libanês e não foi negociado com o Hezbollah, que é tanto um partido político quanto um grupo militar envolvido na resistência à ocupação israelense.
Tanto Israel quanto o governo libanês compartilham o interesse em desarmar o Hezbollah, que conta com apoio do Irã.
No mesmo dia, Naim Qassem, secretário-geral do Hezbollah, discursou reafirmando a determinação do grupo em continuar sua resistência armada e rejeitou qualquer proposta política que possibilite diálogos diretos com Israel.
Ele argumentou que o entendimento firmado em novembro de 2024 previa a suspensão das hostilidades, a libertação de prisioneiros e o início da reconstrução no Líbano; no entanto, nenhuma dessas condições foi cumprida até agora.
Segundo Qassem, a resistência aguardou pacientemente por meses antes de decidir agir no momento que considerou adequado para interromper um plano hostil mais amplo contra o Líbano.
No aspecto militar, ele mencionou que os combatentes da Resistência Islâmica estão prontos para capturar soldados israelenses sempre que uma oportunidade surgir e garantiu que a resistência estará presente “até o último suspiro”.
Papel do Irã no cessar-fogo
Conforme reportado pelo veículo libanês Al Mayadeen, as pressões exercidas pelo Irã foram fundamentais — e não secundárias — nas negociações que resultaram no cessar-fogo entre os dois países, segundo fontes próximas ao processo.
Além disso, Teerã estabeleceu uma ligação direta entre as condições do cessar-fogo e a segurança no Estreito de Ormuz. O Irã já havia paralisado ou ameaçado interromper o tráfego marítimo na região como resposta aos ataques israelenses ao Líbano, operando sob uma lógica descrita como “cessar-fogo para todos ou para nenhum”.






