Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) descreveram uma nova espécie de fungo que parasita aranhas em áreas de Mata Atlântica. O estudo foi publicado na revista Fungal Biology, da British Mycological Society, e amplia o conhecimento sobre a diversidade de fungos e suas interações ecológicas em ambientes tropicais.
A espécie, denominada Gibellula mineira, infecta aranhas da espécie Iguarima censoria e foi identificada a partir de análises morfológicas e moleculares que confirmaram tratar-se de um organismo até então desconhecido pela ciência.
O artigo científico tem como autores Aline dos Santos, Thairine Mendes-Pereira e Camila de Fátima Ferreira Ribeiro, com contribuição também do pesquisador Thiago Gechel Kloss, responsável pela submissão do trabalho.
A pesquisa teve início durante o mestrado de Aline dos Santos e envolveu mais de um ano de coletas e análises até a confirmação da nova espécie. O estudo combinou a descrição das características físicas do fungo com análises genéticas e filogenéticas para determinar sua posição evolutiva dentro do grupo.
Além da identificação, os pesquisadores investigaram a relação entre o fungo e sua aranha hospedeira. Os resultados indicaram que cerca de 25% dos indivíduos analisados estavam infectados, sugerindo uma alta incidência do parasita na população.
Outro aspecto que chamou a atenção foi a maior ocorrência de infecção em aranhas menores, um padrão considerado inesperado e que levanta novas hipóteses sobre a dinâmica dessa interação biológica.
Fungos do gênero Gibellula são conhecidos por parasitar aranhas e, em alguns casos, influenciar seu comportamento para favorecer a dispersão de esporos. Essas relações complexas ainda são pouco compreendidas, especialmente em regiões de alta biodiversidade como a Mata Atlântica.
Segundo os autores, o estudo contribui para preencher lacunas no conhecimento sobre fungos parasitas de aranhas e reforça a importância de áreas naturais, mesmo aquelas inseridas em contextos urbanos, como espaços fundamentais para a descoberta de novas espécies e para o avanço da ciência.








