Descoberta uma nova espécie de percevejo, com menos de 3 cm, na vasta floresta da Mata Atlântica brasileira

Uma nova espécie de inseto foi descoberta na Reserva Biológica das Perobas, localizada no Paraná. Denominado de Hydrometra perobas, o percevejo semiaquático foi identificado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz e destaca a importância científica da região.

Com aproximadamente 2,5 centímetros de comprimento, esse inseto vive próximo à água, nas margens de riachos e lagoas. O nome da espécie faz alusão direta à reserva onde foi encontrado, ressaltando a relevância do local para a preservação da diversidade biológica.

Localizada em Tuneiras do Oeste, a reserva abriga um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do norte e noroeste do Paraná. Ao longo de 2025, foram realizadas seis expedições científicas na área, concentradas em aves, mamíferos e insetos.

Descoberta

A pesquisa foi conduzida por um grupo do Laboratório de Entomologia da Fiocruz, liderado pelo pesquisador Felipe Moreira, com a expedição coordenada pela pesquisadora Carla Fernanda Floriano e assistência do ICMBio.

Além da nova espécie, a reserva já havia registrado previamente o inseto Microlinus perobanus, em 2016, e o peixe Cambeva perobana, em 2024. Esses dados enfatizam a importância das áreas de conservação na descoberta de espécies ainda desconhecidas pela ciência.

Os pesquisadores alertam que a expansão da ocupação humana, juntamente com o aumento das monoculturas, tem impactos significativos em espécies mais delicadas, como os percevejos. Diante desse cenário, áreas protegidas são cruciais para a preservação da biodiversidade.

Segundo Carla Floriano, a região Sul tem observado um crescimento nos registros desse grupo de insetos. O número de espécies conhecidas de percevejos semiaquáticos aumentou de 60 para 75 nos últimos anos, demonstrando um avanço relevante no estudo da fauna local.

Esses insetos desempenham um papel fundamental nos ecossistemas de água doce, atuando como decompositores de nutrientes e fonte de alimento para outras espécies. Conhecidos por conseguirem se locomover sobre a superfície da água sem afundar, são popularmente chamados de “insetos Jesus”.

Um outro indicador da riqueza ambiental da reserva foi a recente descoberta de um ninho de águia-de-penacho com filhote, uma espécie rara na região.

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