Nos veículos elétricos, a bateria pode representar até 40% do custo total.
Até 2025, as vendas anuais de baterias de íon-lítio devem ultrapassar 14 milhões globalmente, impulsionadas pelo crescimento do mercado de veículos eletrificados. O Banco Mundial estima que a necessidade por lítio pode aumentar até 1000% até 2050.
A crescente demanda por baterias é alimentada não apenas pelos automóveis elétricos, mas também pela necessidade de armazenamento de energia e pela infraestrutura necessária para os data centers de inteligência artificial. Nesse contexto, o sódio surge como uma alternativa viável, por ser mais abundante e acessível, apresentando maior durabilidade, desempenho térmico superior e autonomia em comparação ao lítio.
Entendendo as baterias de sódio
<pAs baterias de sódio, ou íon-sódio, funcionam de maneira semelhante às convencionais de íon-lítio: a energia é armazenada e liberada através do movimento de íons entre dois eletrodos (ânodo e cátodo) por meio de um eletrólito.
A principal diferença reside no elemento químico utilizado; enquanto as baterias de íon-lítio utilizam lítio, as de sódio fazem uso deste último elemento, que é mais facilmente encontrado na natureza em minerais ou na água do mar.
A maior disponibilidade do sódio contribui para a redução dos custos de produção e diminui a pressão sobre a demanda mundial por lítio.
Além disso, o sódio apresenta vantagens logísticas significativas; sua extração não requer processos tão intensivos quanto os necessários para o lítio e suas reservas estão amplamente distribuídas pelo globo, resultando em menor impacto geopolítico.
No mercado atual, as baterias de íon-lítio continuam sendo a norma da indústria automobilística, especialmente em carros elétricos particulares, graças à sua alta densidade energética (capacidade de armazenar mais energia em menor espaço e peso).
As baterias de sódio podem operar com mais de 8.000 ciclos de recarga e têm potencial para alcançar até 10 mil ciclos nas versões futuras. Elas mantêm um bom desempenho mesmo em temperaturas extremas que variam entre -40°C e +60°C.
Em termos de autonomia, testes realizados com caminhões mostraram que essas baterias podem proporcionar até 20% mais alcance e um consumo energético aproximadamente 15% menor.
No entanto, apesar das inovações tecnológicas, a densidade energética das baterias de sódio ainda é inferior à das melhores opções disponíveis em íon-lítio.
Por essa razão, é provável que sua adoção inicial ocorra em veículos elétricos maiores como caminhões e ônibus ou em aplicações industriais que possam acomodar baterias volumosas.
No setor dos veículos eletrificados, empresas como BYD e CATL já estão desenvolvendo soluções comerciais promissoras com densidade energética na faixa de 175–180 Wh/kg, semelhante à das baterias LFP (fosfato de ferro-lítio).
- Leia também: Novas baterias de sódio da BYD para elétricos miram vida útil de 55 anos – Revista Fórum
A previsão é que até 2027 as baterias de íon-sódio alcancem paridade nos custos com as tradicionais batteries de íon-lítio. Isso poderá resultar em uma queda significativa no preço dos veículos eletrificados comerciais.
Essa informação é bastante positiva para os mercados emergentes. Contudo, pode representar um desafio para países que são grandes produtores das matérias-primas necessárias ao lítio — como Austrália, Chile, China e Argentina — além do Brasil, que possui reservas consideráveis desse mineral (sendo o sétimo no mundo em reservas conhecidas concentradas principalmente em Minas Gerais).
Caso as previsões sobre custo e desempenho se concretizem nos próximos anos, o setor da eletrificação poderá entrar em uma nova fase impulsionada por inovações na transição energética junto a tecnologias mais acessíveis e escaláveis.








