Ameaça à Amazônia: ONG denuncia crescimento do crime organizado e seus impactos ambientais

Um relatório divulgado nesta terça-feira (12) evidencia o crescimento da ameaça representada pelo crime organizado na Amazônia, indicando que a infiltração de organizações criminosas em áreas protegidas intensifica a violência e prejudica os esforços de preservação da maior floresta tropical do mundo.

A pesquisa realizada pela ONG International Crisis Group revela que a busca por novas rotas para o tráfico de drogas e por recursos minerais ilegais está impulsionando quadrilhas do Brasil, Colômbia e outros países da bacia amazônica a se expandirem por vastas áreas desse ecossistema delicado, com consequências devastadoras para o meio ambiente.

De acordo com o Crisis Group, a Amazônia “está sendo atacada pelo crime organizado”.

Bram Ebus, especialista da organização, afirmou: “O crime organizado se tornou um dos principais obstáculos para conter a degradação ambiental na Amazônia.”

Ele acrescentou que “o que antes era considerado um desafio de conservação agora se transformou em uma crise de governança e segurança”.

O relatório aponta que as quadrilhas atuam em pelo menos 67% dos municípios das regiões amazônicas da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, utilizando dados do coletivo jornalístico Amazon Underworld.

As repercussões vão além da criminalidade local: a produção de cocaína e a extração ilegal de ouro poluem rios e contribuem para o desmatamento.

A Amazônia abrange nove países da América do Sul, sendo que 60% de sua extensão está no Brasil. Essa região é crucial na luta contra as mudanças climáticas.

No entanto, os governos enfrentam dificuldades para colaborar “enquanto os grupos criminosos atuam de forma transnacional”, observa o International Crisis Group. A organização pede às autoridades que busquem trabalhar junto às comunidades indígenas, que frequentemente estão na linha de frente dessa luta.

A ONG também fez um apelo aos compradores internacionais de matérias-primas para que assegurem que suas cadeias de suprimento não estejam associadas a produtos provenientes do crime organizado.

A vigilância nessa vasta área remota de 6,7 milhões de km² nunca foi uma tarefa simples.

Conforme destacado no relatório, as organizações criminosas exploram as fragilidades dos governos para se expandir pela floresta, com destaque para grupos como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Esses grupos não apenas competem com facções armadas colombianas, venezuelanas e equatorianas ao cruzar fronteiras, mas também estabelecem colaborações em algumas situações.

Nas áreas sob seu domínio, eles impõem regras próprias e sistemas de justiça, “exercendo uma brutalidade extrema”, segundo afirmações da ONG.

© Agence France-Presse

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