A FAW Jiefang, a divisão de veículos comerciais do conglomerado estatal chinês FAW, revelou que finalizou os testes de seu caminhão pesado movido por baterias de íons de sódio. Essa tecnologia alternativa às baterias de lítio apresenta um custo que pode ser reduzido em até 30%.
Os testes foram realizados ao longo de sete meses em condições reais e em colaboração com a HiNa Battery. Durante essa fase, o caminhão testado foi um modelo Jiefang J6P, considerado o topo da linha da FAW, desenvolvido para operações de logística de longa distância, além de setores como construção e mineração. O veículo estava equipado com um conjunto de baterias com capacidade total de 339 kWh.
Durante os testes, o caminhão percorreu mais de 15 mil quilômetros e foi submetido a monitoramento em condições climáticas extremas. As baterias de sódio demonstraram ter um desempenho superior ao das baterias de lítio em temperaturas muito frias, destacando-se pela sua estabilidade e excelente retenção de carga.
As expectativas são que essas baterias mantenham até 90% da capacidade útil mesmo em temperaturas que podem chegar a -40°C. Outro ponto positivo observado nos testes foi o tempo necessário para recarga: a bateria conseguiu ser completamente carregada em torno de 20 a 25 minutos.
A fabricante também informou que essa tecnologia possui uma vida útil superior a 8.000 ciclos completos de carga e descarga. Embora as células de sódio ainda não consigam armazenar tanta energia por quilograma quanto as melhores opções de íons de lítio, elas já se mostram como alternativas viáveis para o setor logístico.
O uso do sódio, abundante na natureza, diminui a dependência da cadeia produtiva do lítio, mineral valorizado na transição energética devido às suas propriedades físico-químicas. A diferença no preço das matérias-primas entre as baterias de sódio e lítio pode chegar a ser até 15 vezes menor no caso do sódio.
A China se estabeleceu como o principal centro global para o desenvolvimento das baterias de íons de sódio, com inovações lideradas por empresas como HiNa Battery, CATL e BYD. Essas companhias têm investido nessa tecnologia apoiadas por políticas industriais do governo chinês.
Antes mesmo da colaboração com a FAW Jiefang, a HiNa Battery já havia anunciado que estava produzindo células comerciais com uma densidade energética superior a 165 Wh/kg, capazes de serem totalmente carregadas em cerca de 25 minutos e suportar mais de 8.000 ciclos.
Atualmente, as empresas chinesas são responsáveis por até 90% da capacidade global na produção dessas baterias alternativas.








