Autoridades apuram caso de “lista sexual” que avaliava estudantes de prestigiado colégio no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro está apurando uma “lista sexual” que foi criada por alunos do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na zona Sudoeste da metrópole. Esse material, que contém classificações misóginas e sexistas, afetou pelo menos 65 estudantes com idades entre 14 e 15 anos e já foi removido da internet.

A investigação está sob a responsabilidade da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), que tem expertise em casos envolvendo menores. A delegada encarregada do caso está unificando várias denúncias que chegaram a diferentes distritos policiais da cidade para uma análise mais eficaz.

A delegada Maria Luiza Machado lidera a investigação e se depara com um desafio significativo: as denúncias foram distribuídas de maneira fragmentada entre diversas unidades policiais do Rio, o que complica a centralização dos registros em um único inquérito.

O início das investigações foi impulsionado por uma denúncia proveniente do próprio Colégio Cruzeiro, uma instituição tradicional na região de Jacarepaguá.

A iniciativa da escola em notificar as autoridades é crucial para o progresso da investigação. No entanto, ainda restam questionamentos sobre o ambiente escolar que possibilitou a criação e disseminação desse conteúdo impróprio. A polícia já ouviu o diretor da instituição e avança para as próximas fases da investigação.

Descrição do conteúdo e das vítimas

A lista em questão avalia as alunas utilizando termos depreciativos como: “Goat” (que significa “melhor de todos os tempos” em inglês), “Comeria no lucro”, “Bêbado vai”, “Me arrependi depois” e “Nem olharia”, conforme informações obtidas pela investigação.

Essa classificação promove a objetificação das meninas, tratando-as como meros objetos de desejo masculino, categorizadas segundo a vontade dos autores de se relacionar com elas sob diferentes circunstâncias, inclusive considerando arrependimentos posteriores.

As garotas mencionadas na lista tinham entre 14 e 15 anos e foram listadas sem seu consentimento. O exato número de estudantes envolvidos na elaboração desse conteúdo anônimo e a plataforma utilizada ainda estão sendo analisados pela DCAV.

Posicionamento do Colégio Cruzeiro

Em comunicado oficial, o Colégio Cruzeiro informou que assim que tomou ciência do ocorrido, registrou um boletim de ocorrência (BO), solicitou a remoção do material da plataforma digital e notificou as famílias das alunas afetadas. A escola afirmou ter iniciado um “apoio integral” às vítimas e seus familiares, embora não tenha detalhado como esse suporte seria oferecido na prática.

A instituição também ressaltou que seu programa educacional já inclui campanhas de conscientização com palestras conduzidas por juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia e delegados. Contudo, essa referência ao projeto existente levanta questionamentos sobre como tal situação pôde ocorrer dentro desse mesmo ambiente escolar.

No que diz respeito às possíveis punições internas aos alunos envolvidos no incidente, a escola optou por não comentar, afirmando que qualquer sanção penal dependerá das investigações em andamento. A ausência de informações sobre possíveis medidas disciplinares internas deixa lacunas não esclarecidas pela instituição.

Futuras etapas da investigação e potenciais responsabilizações

Com o depoimento do diretor realizado, a polícia agora planeja ouvir as vítimas para avançar na identificação dos responsáveis pela lista anônima.

A anonimidade do conteúdo representa um dos principais desafios técnicos para a investigação; assim, a identificação dos autores dependerá tanto das informações fornecidas pelas vítimas quanto dos dados que possam ser obtidos junto à plataforma onde o material circulou.

Pela condição de menores de idade, os envolvidos que forem identificados responderão por atos infracionais equivalentes aos crimes de injúria, difamação e sujeição de adolescentes a situações vexatórias ou constrangedoras. A delegada mencionou que outros enquadramentos legais poderão ser adicionados conforme novas evidências sejam descobertas durante a apuração, especialmente se houver indícios de ameaças ou agressões psicológicas contra as vítimas.

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