Recentemente, uma equipe de pesquisadores explorou o sítio paleontológico Tartaruguito, situado em uma área rural de Pirapozinho, no oeste de São Paulo. Durante a expedição, foram descobertos fósseis de tartarugas que existiram há mais de 80 milhões de anos, especificamente no período Cretáceo Superior.
A pesquisa foi conduzida por nove acadêmicos das universidades UERJ, UFRJ e UFES, em colaboração com o Instituto Nacional de Paleontologia de Vertebrados (Paleovert) e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Os cientistas recuperaram esqueletos completos e fragmentos das espécies Bauruemys elegans e Roxochelys wanderleyi.
Essas tartarugas habitavam os antigos rios e lagos da Bacia Bauru durante o Cretáceo Superior, um intervalo que vai de aproximadamente 83 a 72 milhões de anos atrás. A região é notável por ser um importante local de descoberta de fósseis do grupo Pelomedusoides, que inclui tartarugas com pescoço lateral ainda presentes na América do Sul, África e Madagascar.
No contexto brasileiro, a Bauruemys elegans se destaca como a única espécie do grupo Podocnemididae cujo crânio e pós-crânio foram encontrados associados; outras espécies desse grupo costumam ser representadas apenas por fragmentos ou carapaças isoladas.
O oeste paulista, durante o Cretáceo Superior, integrava a Bacia Bauru — uma vasta unidade geológica composta por depósitos fluviais, lagos temporários e planícies aluviais em um clima quente e semiárido. Esse ambiente abrigava uma fauna diversificada que incluía dinossauros, crocodiliformes terrestres, serpentes, peixes, mamíferos primitivos e diversas tartarugas.
A Formação Adamantina, onde se encontra o sítio Tartaruguito, é reconhecida como uma das principais fontes fósseis do Cretáceo no Brasil.
Além das tartarugas, os especialistas afirmam que o local também preserva fósseis de Pepesuchus, um crocodiliforme terrestre descrito pela primeira vez em 2019. Este animal possui pernas longas e hábitos diferentes dos crocodilos contemporâneos.
A escavação para a coleta dos fósseis requer um trabalho cuidadoso e metódico. Quando espécimes bem conservados são descobertos, são levados para laboratórios onde passam por um meticuloso processo de preparação para análises detalhadas e catalogação.





