Descobertas surpreendentes: expedição desvela 31 novas espécies em um dos locais mais enigmáticos do planeta

A expedição científica intitulada Designing the Future 3, que navegou pelas águas internacionais do Atlântico Sul tropical a bordo do navio de pesquisa Falkor Too, pertencente ao Schmidt Ocean Institute, resultou na identificação de 31 espécies que podem ser inéditas para a ciência.

Além das novas descobertas, a equipe de cientistas conseguiu, pela primeira vez, criar imagens tridimensionais das estruturas internas de uma célula viva durante operações em alto-mar.

Realizada em uma região oceânica próxima à costa do Brasil, na zona de meia-água—uma faixa que se estende entre 200 e mil metros de profundidade, onde a luz é escassa e difusa—, a expedição contou com a participação de especialistas oriundos de quatro continentes: América, Europa, Ásia e Oceania.

Conforme informado pelo Smithsonian Ocean, a área explorada abriga uma vasta diversidade de organismos gelatinosos e transparentes, muitos dos quais possuem bioluminescência. Essa região é reconhecida como o maior ecossistema habitável do planeta.

A equipe empregou o veículo submarino operado remotamente SuBastian, que foi equipado com ferramentas desenvolvidas principalmente pelo Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), com o objetivo de identificar as 31 novas formas de vida.

Nova espécie do gênero Tomopteris. Créditos: ROV SuBastian / Schmidt Ocean Institute

Um polvo fêmea (Haliphron atlanticus) se alimenta de uma água-viva a 800 metros de profundidade. Crédito: ROV SuBastian / Schmidt Ocean Institute

Dentre as novas espécies estão diferentes tipos de águas-vivas; sete sifonóforos, que são organismos coloniais relacionados às águas-vivas; sete ctenóforos (conhecidos como comb jellies, ou carambolas-do-mar); quatro larváceos que habitam em estruturas mucosas; dois rizários gigantes, organismos unicelulares visíveis a olho nu; um anfípode, um pequeno crustáceo marinho; e um verme do gênero Tomopteris.

Os pesquisadores enfatizam que esses organismos ainda precisam passar pelo processo formal de descrição taxonômica. Durante a expedição, os genomas dos exemplares coletados foram sequenciados no próprio navio, possibilitando comparações imediatas com dados disponíveis em bancos internacionais.

Adicionalmente, utilizando o microscópio confocal open-source Squid desenvolvido na Universidade Stanford, os cientistas conseguiram capturar imagens tridimensionais das estruturas internas de um organismo unicelular ainda vivo—a primeira vez que esse tipo de informação foi registrada em tempo real em três dimensões.

Esse equipamento permitiu observar a célula sem interromper suas funções biológicas imediatamente e possibilitou a reconstrução tridimensional das estruturas internas para relacionar a arquitetura celular ao funcionamento fisiológico.

Diante das mudanças climáticas que afetam temperatura, circulação e disponibilidade de oxigênio nos oceanos, entender esses organismos é crucial para aprimorar modelos climáticos e compreender como o maior ecossistema da Terra reagirá às transformações ambientais nas próximas décadas, conforme ressaltado pelo Schmidt Ocean Institute.

 

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