Um estudo recente realizado por pesquisadores da renomada instituição Mayo Clinic, localizada nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Mayo Clinic Proceedings, revelou uma descoberta impactante: pressão financeira e insegurança alimentar emergem como os principais fatores que aceleram o envelhecimento biológico do coração, resultando em um aumento da mortalidade.
Esses elementos se mostraram mais significativos do que fatores de risco tradicionais, como idade avançada, obesidade e hipertensão, sendo que estas últimas costumam ser decorrentes do tabagismo.
O estudo teve como propósito avaliar o impacto dos determinantes sociais da saúde (DSS) no coração, abordando as condições de nascimento, trabalho e vida das pessoas, bem como seus efeitos na saúde. Tais determinantes englobam aspectos econômicos, sociais, ambientais e culturais, como renda, educação, moradia, ambiente de trabalho e acesso a serviços de saúde.
Para conduzir a pesquisa, os cientistas analisaram dados de 280.323 indivíduos nos Estados Unidos, maiores de 18 anos, que passaram por atendimento em unidades vinculadas à Mayo Clinic nos estados de Minnesota, Arizona e Flórida, entre os anos de 2018 e 2023.
Dinâmica do estudo
Os participantes preencheram questionários abordando temas como estresse, atividade física, interações sociais, situação de moradia, dificuldades financeiras, insegurança alimentar, necessidades de transporte, alimentação e nível educacional.
Posteriormente, foram submetidos a um eletrocardiograma para registrar a atividade elétrica do coração por meio de eletrodos na pele.
Para estimar a idade biológica do coração, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo de inteligência artificial (IA) que utilizou os dados do eletrocardiograma para realizar a análise.
Essa ferramenta foi previamente elaborada com base em quase 775 mil exames realizados pela Mayo Clinic e passou por validação interna.
O estudo concluiu que a diferença entre a idade cardíaca e a idade cronológica foi maior, indicando um envelhecimento biológico do coração, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares e mortalidade, como apontaram os responsáveis pela pesquisa.








