Descoberta nova espécie em ilha revela diferenças genéticas de sua “gêmea

Uma nova espécie de pássaro, chamada Phylloscopus tokaraensis, foi descoberta recentemente nas ilhas Tokara, que fazem parte do arquipélago de Ryukyu, localizado no sudoeste do Japão.

A revelação, que foi publicada na revista científica PNAS Nexus, é fruto de um esforço colaborativo entre especialistas da Universidade de Uppsala, do Instituto Yamashina de Ornitologia e de várias instituições na China e no Japão.

A principal contribuição dessa pesquisa é a distinção entre a nova ave e uma espécie muito semelhante, a Phylloscopus ijimae. Os cientistas estavam intrigados pelo fato de que indivíduos da mesma espécie habitam áreas tão distantes como as ilhas Tokara e Izu, que se encontram a mais de mil quilômetros uma da outra.

Phylloscopus tokaraensis. Créditos: Uppsala University.

Antes da identificação formal de Phylloscopus tokaraensis, os pesquisadores buscavam entender como aves da mesma espécie poderiam viver em locais tão afastados sem apresentar variações morfológicas significativas.

As semelhanças entre as duas espécies são marcantes: ambas possuem um corpo pequeno e esguio, típico das felosas (warblers), com comprimento variando entre 10 e 12 centímetros. Sua plumagem é predominantemente verde-oliva na parte superior, proporcionando uma camuflagem eficaz entre folhagens e galhos, enquanto a parte inferior apresenta tons mais claros que vão do branco-amarelado ao bege suave.

A cabeça das aves exibe uma linha bem definida acima dos olhos, com olhos grandes em relação ao corpo e um bico fino e ligeiramente pontiagudo, adequado para capturar pequenos insetos. As asas curtas e arredondadas também têm colorações semelhantes, sem diferenças perceptíveis entre as espécies.

A proximidade morfológica entre essas aves que habitam regiões diferentes pode ser atribuída a um ancestral comum do qual ambas as populações divergiram há aproximadamente 2,8 a 3,2 milhões de anos.

Localização das Ilhas Izu no Japão. Créditos: Wikipedia

O ancestral das aves provavelmente ocupava uma área mais extensa do arquipélago japonês. Alterações climáticas e transformações geológicas devem ter contribuído para o isolamento dos grupos em ilhas separadas. Com o passar dos anos, as populações isoladas foram acumulando diferenças genéticas e comportamentais até serem reconhecidas como espécies distintas.

A descoberta de Phylloscopus tokaraensis enriquece o conhecimento sobre a biodiversidade críptica, situação em que duas ou mais espécies são morfologicamente semelhantes ao ponto de serem quase impossíveis de diferenciar sem a realização de análises genéticas.

Para elucidar a nova espécie, os cientistas precisaram comparar sequências de DNA mitocondrial, que é o material genético transmitido pela linhagem materna e preservado ao longo da evolução. Através dessas análises, ficou evidente a diferença genética entre as populações endêmicas das ilhas Tokara e Izu.

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