Europa pode ganhar seu primeiro país a explorar minas de Terras Raras

Localizado na Telemark, na Noruega, encontra-se o maior depósito de Terras Raras da Europa, um continente que ainda não possui minas estabelecidas para a extração desses elementos essenciais em tecnologias avançadas. Este depósito contém aproximadamente 15,9 milhões de toneladas métricas de óxidos de ETRs com potencial estimado, conforme informações do Serviço Geológico norueguês.

O local conhecido como Fen pode se tornar o pioneiro na produção de elementos de terras raras (ETRs) na Europa. As pesquisas geológicas realizadas na área revelaram a presença de neodímio e praseodímio, dois componentes cruciais para a fabricação de ímãs superpotentes, que correspondem a cerca de 19% dos materiais encontrados no solo.

A Rare Earths Norway, empresa vinculada ao Grupo Hustadlitt — um conglomerado do setor mineral que também supervisiona a Norsk Mineral AS — assumiu a operação da mina. A expectativa é que a produção comece no final de 2031, com uma capacidade inicial prevista de aproximadamente 800 toneladas anuais da combinação dos elementos conhecidos como NdPr.

Esse volume é considerado suficiente pela empresa para atender até 5% da demanda total da Europa por ETRs, atualmente dominada pela China, que responde por 90% da produção e processamento desses óxidos.

A Comissão Europeia informa que entre 90% e 98% das terras raras consumidas pela União Europeia são importadas da China. Diante disso, o bloco europeu tem implementado políticas industriais focadas em garantir sua segurança no abastecimento.

Com a implementação do Critical Raw Materials Act, que estabelece objetivos estratégicos até 2030, a Europa pretende extrair pelo menos 10% do seu consumo anual total dessas matérias-primas dentro dos países-membros e almeja processar até 40% delas localmente.

A União Europeia também busca limitar a dependência individual de qualquer país fornecedor a no máximo 65% do total necessário.

Iniciativas voltadas à extração de elementos críticos já estão sendo desenvolvidas em lugares como Suécia — onde foi identificado o depósito de Kiruna pela LKAB — Finlândia e Espanha, embora nenhum destes projetos tenha apresentado potencial comercial comprovado até o momento.

O Banco Europeu de Investimento e fundos nacionais têm investido bilhões de euros em cadeias produtivas relacionadas a baterias, energias renováveis e mineração sustentável, buscando construir um ecossistema industrial autônomo em termos energéticos e minerais.

No entanto, o desenvolvimento da mina Fen enfrenta desafios significativos. Comunidades locais compostas por agricultores e grupos ambientais demonstram resistência em relação aos conflitos sobre uso da terra. A área já foi explorada para mineração de ferro e nióbio na segunda metade do século XX e está situada nas proximidades do Lago Norsjø, onde existem residências e escolas, complicando ainda mais as operações mineradoras.

A Rare Earths Norway afirma que o progresso na região será pautado por diretrizes de sustentabilidade e segurança.

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