O Brasil teve seu carro elétrico pioneiro antes da chegada da Tesla

A trajetória dos veículos elétricos no Brasil tem início com a audaciosa visão de João Amaral Gurgel. Em 1969, ele estabeleceu a Gurgel Motores após sua saída da Ford, contando com apenas quatro funcionários e um investimento inicial de 10 mil dólares. O objetivo era criar uma montadora que desenvolvesse seus próprios motores, chassis e carrocerias, um feito inédito no país, que resultou na produção de aproximadamente 40 mil automóveis ao longo de 25 anos.

Os primeiros modelos lançados, como o Gurgel Ipanema e o Bugato, representaram tentativas inovadoras que mesclaram resistência e criatividade. Em 1974, foi apresentado o Itaipu, projetado para enfrentar os desafios impostos pela crise do petróleo e atender às demandas de mobilidade em cidades de médio porte. O protótipo TU-Elétrico foi essencial para abrir as portas da produção de veículos elétricos no Brasil.

Foto: Wikimedia commons

O Itaipu E150 contava com dez baterias de chumbo-ácido, um motor francês com potência de 120 volts e 3,2 kW, oferecendo uma autonomia entre 50 e 60 km e alcançando uma velocidade máxima de 60 km/h. Sua carroceria trapezoidal, inspirada no CitiCar dos Estados Unidos, utilizava fibra de vidro sobre um chassi tubular. A proposta de uma rede de recarga em Rio Claro (SP) mostrava a ambição em integrar a infraestrutura ao veículo; contudo, esse projeto foi abandonado em 1977 devido à limitação das baterias disponíveis e à prioridade dada ao programa Proálcool.

Nos anos seguintes, a iniciativa foi retomada com o lançamento do Itaipu E400, um furgão que podia transportar até 400 quilos, produzido a partir de 1981 com motor desenvolvido pela Indústrias Villares. Esse veículo atendia diversas estatais como Telebras, Telerj, Cesp e Receita Federal, apresentando uma velocidade máxima também de 60 km/h, chassi em treliça tubular e câmbio manual de quatro marchas. Logo depois, surgiram as versões E500, que ofereciam um alcance de até 120 km e capacidade para carregar até 500 quilos.

Apesar da recessão que se instaurou no final do regime militar e da diminuição nas vendas, a Gurgel conseguiu manter lucros através da comercialização de jipes movidos a combustão. O Itaipu permanece como um símbolo de inovação brasileira e liderança na mobilidade elétrica, muito antes do surgimento das grandes montadoras internacionais nesse segmento.

Related Posts

Mensagens entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz em app Confide ligadas ao assassinato de Marielle

O aplicativo de mensagens secretas Confide, usado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para se comunicar com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes do INSS, é o mesmo utilizado pelos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz no planejamento do assassinato da vereadora […]

Meta impede criação de figurinha de Lula enquanto impulsiona artes de Flávio Bolsonaro.

A IA da Meta se nega a criar figurinha de Lula e turbina artes de Flávio Bolsonaro. Testes realizados pela Revista Fórum nesta quarta-feira (14) mostram que a ferramenta de inteligência artificial integrada ao WhatsApp impede a criação de imagens com o nome e o número eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), […]