BRICS investe em data center submarino totalmente movido a energia sustentável

No mês de maio, a China deu início às operações de seu primeiro data center submarino, denominado Shanghai Lingang Undersea Data Center Demonstration Project, localizado a aproximadamente 10 quilômetros da costa de Xangai, na área especial de Lingang.

Este centro, que se encontra a uma profundidade de 10 metros, é interligado a um parque eólico no mar e opera completamente com energia proveniente da fonte eólica offshore. O projeto foi desenvolvido pela HiCloud Technology, uma empresa renomada na industrialização de alta precisão, em colaboração com a estatal China Communications Construction Company (CCCC).

O investimento total para a construção do data center foi cerca de 1,6 bilhão de yuans (equivalente a R$ 1,2 bilhão) e sua capacidade é de 24 megawatts.

Enquanto os data centers convencionais, que estão localizados em terra firme, consomem até 40% da eletricidade para sistemas de resfriamento, o design do centro submarino permite uma refrigeração natural.

O sistema implementado em Lingang utiliza trocadores de calor que transferem o calor gerado pelos servidores para as águas circundantes, sem que haja contato direto com o oceano. Essa abordagem pode resultar em uma redução no consumo energético entre 22% a 23% quando comparado a instalações tradicionais.

Com base na métrica PUE (Power Usage Effectiveness), que avalia a eficiência energética dos data centers, o complexo chinês apresenta um desempenho notável, com um índice de 1,15 (quanto mais próximo de 1, melhor é a eficiência).

As cápsulas submersas deste projeto possuem um peso total de 1.300 toneladas e são alimentadas por fontes de energia limpa. Entretanto, sua instalação pode representar riscos para ecossistemas marinhos e potencialmente aumentar a temperatura média da água nas proximidades.

Informações divulgadas pelas autoridades chinesas indicam que o sistema conta com módulos selados que abrigam milhares de servidores dedicados a funções como inteligência artificial, computação em nuvem, análise de grandes volumes de dados e treinamento de modelos linguísticos.

Antes da inauguração em Xangai, a China já havia realizado outra experiência significativa liderada pela HiCloud. Na província insular de Hainan, foi ativado o primeiro data center submarino comercial do mundo, que passou por uma ampliação em 2025 para integrar um cluster voltado à inteligência artificial.

A estrutura localizada em Hainan é atualmente utilizada por diversas empresas para desenvolver modelos de IA, realizar simulações industriais, criar jogos digitais e conduzir pesquisas oceanográficas. Este projeto também serviu como base tecnológica para o recente data center em Lingang.

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