Localizada em uma região tradicionalmente voltada para a agricultura de grãos, como soja e milho, a pequena propriedade rural chamada Estância São Francisco, situada em Tangará da Serra (MT), decidiu diversificar suas atividades. Atualmente, ela cultiva 15 mil pés de banana em uma área de nove hectares, utilizando energia limpa para sustentar a produção.
Conforme informações do Canal Rural, o projeto começou em 2017 com a plantação de apenas 50 mudas de banana. Anteriormente, a Estância era arrendada para o cultivo de soja, que representa cerca de 43% do valor bruto da agricultura no estado e ocupa aproximadamente 13 milhões de hectares.
A ideia de cultivar bananas surgiu como um experimento para testar as condições dessa cultura no clima local e na dinâmica do mercado regional, na parte sudoeste de Mato Grosso, um importante ponto do agronegócio interiorano.
O produtor Gléder Luiz Teixeira foi o responsável por iniciar o plantio com 50 mudas em uma pequena seção da propriedade e logo notou resultados promissores nas primeiras colheitas.
A banana demonstrou ser não apenas rentável, mas também resistente à seca, um problema frequente que afeta os cultivos locais durante a estiagem.
A capacidade da banana de ser cultivada mesmo nas épocas secas contribuiu para aumentar os lucros do agricultor.
Através de uma estratégia bem planejada, acompanhada por estudos da Embrapa e suporte técnico da Assistência Técnica e Gerencial do Senar Mato Grosso – que oferece capacitação para produtores rurais – a bananicultura se estabilizou e cresceu consideravelmente ao longo dos anos.
Atualmente, a Estância São Francisco abrange um total de 17 hectares, dos quais 15 são efetivamente utilizados para cultivo. Nove desses hectares estão dedicados à banana, que agora forma um bananal com 15 mil plantas.
Os planos futuros incluem expandir essa área em mais quatro hectares, elevando o total para 13 hectares destinados ao cultivo e quase 20 mil covas planejadas para essa cultura específica.
No programa Senar Transforma, foi relatado que o suporte à plantação começou por volta de 2019, com assistência técnica na área de fruticultura.
Dentre as principais inovações implementadas na Estância São Francisco está a reorganização do espaçamento entre as plantas. Inicialmente dispostas em fileiras simples com arranjos variados entre 2 x 2 metros e 3 x 2 metros, elas foram alteradas para fileiras duplas com quatro metros entre elas e dois metros entre as covas. Essa mudança aumentou a densidade das plantas para aproximadamente 1.666 por hectare e facilitou o tráfego das máquinas na gestão da plantação.
O sistema de plantio é escalonado, permitindo que diferentes áreas estejam em estágios distintos de desenvolvimento. Enquanto algumas partes possuem mudas recém-plantadas, outras já estão com bananeiras desenvolvendo cachos. Isso possibilita uma colheita contínua e até semanal das bananas durante todo o ano, mesmo na época seca.
No início, a variedade cultivada era a Farta Velhaco; no entanto, em colaboração com a Embrapa Mandioca e Fruticultura, foram testados genótipos mais adequados às condições locais. A BRS Terra Anã foi escolhida por oferecer maior produtividade e menor altura das plantas (cerca de 3,5 metros), além de resistência a doenças relevantes como Sigatoka-negra e ataques do moleque-da-bananeira.
A produtividade da BRS Terra Anã pode superar em duas a três vezes aquela das variedades tradicionais.
Visando reduzir os custos com irrigação — que demanda energia constantemente — a propriedade adotou energia solar fotovoltaica. Após as colheitas, as bananas produzidas na Estância São Francisco são comercializadas em várias cidades mato-grossenses ao preço de R$ 5 por quilo quando adquiridas diretamente na propriedade. Segundo Teixeira, os ganhos obtidos com o cultivo da banana superaram aqueles provenientes da soja.
O Senar Mato Grosso oferece suporte à fruticultura assistida no estado e atualmente atende a 519 propriedades focadas principalmente no cultivo de banana-da-terra, mamão, maracujá e abacaxi.
A meta é maximizar os lucros em áreas menores através de alta produtividade aliada a manejo técnico eficiente e produção contínua.








