A combinação do intenso calor do verão europeu com um longo período de seca nos rios da região leste do continente tem gerado consequências severas para a infraestrutura energética na Europa.
Relatos de veículos de comunicação europeus indicam que o Danúbio, o segundo maior rio do continente, que possui uma bacia hidrográfica cobrindo aproximadamente 800 mil km² e se estendendo por dez países, está apresentando níveis de água alarmantemente baixos, os quais não eram vistos há várias décadas.
A drástica diminuição do nível das águas expôs recentemente destroços de navios afundados durante a Segunda Guerra Mundial nas proximidades da fronteira entre Sérvia e Romênia. Na Bulgária, foram encontrados ossos de um mamute, enquanto na Croácia apareceu a estrutura de um cargueiro que estava desaparecido há quase 90 anos.
A navegação fluvial também enfrenta dificuldades devido à queda no nível da água, que já chegou a apenas 23 centímetros.
Um dos impactos mais preocupantes é a significativa diminuição na operação das usinas nucleares localizadas no leste europeu, área que mais depende dos recursos hídricos para seus processos de resfriamento.
No caso da Hungria, a Usina Nuclear de Paks, única do país e em funcionamento há 44 anos, foi forçada a ser desligada pela primeira vez em sua história. Durante este período crítico, operou com cerca de 10% da capacidade total. Este estabelecimento é responsável por metade da eletricidade consumida em território húngaro.
Além das restrições no fornecimento elétrico para residências, o governo húngaro também teve que limitar as operações dos trens de carga movidos a eletricidade. As recomendações para economizar energia foram estendidas às indústrias locais.
A situação hídrica impactou também a Romênia, onde a Usina Cernavodă, que fornece até 20% da eletricidade nacional e depende exclusivamente das águas do Danúbio, teve sua vazão reduzida para apenas um terço do volume habitual.
Em resposta ao baixo nível das águas, a Marinha romena foi obrigada a destruir uma formação rochosa emergente e submergir barcaças carregadas com pedras pesadas para redirecionar o fluxo da água em direção à usina.
Na Sérvia, a hidrelétrica Iron Gate (Djerdap), um dos maiores complexos hidrelétricos do Danúbio, começou a operar com cerca de 20% de sua capacidade total.
Pesquisas realizadas por organizações internacionais sobre mudanças climáticas alertam que com o aumento das ondas de calor na Europa devido às alterações climáticas, modificações nos regimes hidrológicos dos grandes rios do continente deverão se tornar cada vez mais comuns.
A Europa continua enfrentando crises energéticas sucessivas devido à dependência de insumos importados como gás natural e petróleo. Embora o setor nuclear busque contribuir com parte da demanda elétrica em substituição às fontes fósseis — representando atualmente cerca de 25% da eletricidade gerada no bloco — ele ainda depende criticamente dos recursos hídricos para seu funcionamento.






