Brasil se prepara para exportar fruta tradicional do Oriente Médio

O governo da Bahia firmou uma colaboração com os Emirados Árabes Unidos, que contempla uma parceria técnica para um projeto inovador de cultivo no estado brasileiro, com um investimento projetado de aproximadamente US$ 4 milhões ao longo de cinco anos.

O plano inicial envolve o plantio de cerca de 10 mil mudas da tamareira, conhecida cientificamente como Phoenix dactylifera. Essa palmeira, que se desenvolve principalmente no norte da África e no sudoeste da Ásia, está se expandindo rapidamente na Bahia em função das condições climáticas favoráveis do semiárido baiano.

As localidades que participarão do projeto incluem municípios como Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Riachão das Neves. O ciclo médio até a primeira colheita das tamareiras é estimado em três anos.

A importação das mudas será realizada a partir dos Emirados Árabes, e cada palmeira tem potencial para gerar até 70 kg de tâmaras por ano após atingir a maturidade.

A formalização dessa iniciativa ocorreu por meio de um acordo assinado entre a Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), em colaboração com a Fundação Zayed, que agrega organizações filantrópicas voltadas para sustentabilidade nos EAU, além da Al Foah Company, uma estatal de Abu Dhabi especializada na produção de tâmaras.

O principal objetivo desse projeto é estabelecer uma cadeia produtiva que não apenas abasteça o mercado interno, mas também diminua a dependência de importações. No futuro, as tâmaras cultivadas na Bahia podem se tornar um produto voltado para exportação.

Phoenix dactylifera.
Créditos: Wikimedia commons

Conforme estudos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a tamareira encontra condições ideais em regiões com altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar, alta incidência solar e irrigação controlada—características presentes nas regiões oeste e norte da Bahia.

Embora essa planta necessite de água em abundância durante o crescimento dos frutos, suas raízes profundas permitem que suportem períodos prolongados sem chuva.

No mês passado, chegaram à Bahia as primeiras 100 mudas provenientes dos Emirados Árabes, representando 12 variedades diferentes da espécie. Essas mudas foram enviadas para quarentena no Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), localizado em Brasília. O período de quarentena pode se estender por meses e tem como finalidade assegurar a proteção dos plantios contra pragas e doenças exóticas, seguindo rigorosos protocolos de manejo.

Dados do Ministério da Agricultura indicam que as importações brasileiras de tâmaras aumentaram mais de 450% na última década: saltaram de 776 toneladas para mais de 4.300 toneladas anuais.

Além do longo ciclo produtivo das tamareiras, as tâmaras apresentam um alto valor comercial. Contudo, a demanda nacional é predominantemente atendida por países árabes como os Emirados Árabes Unidos, Tunísia, Israel, Arábia Saudita e Egito.

A transferência tecnológica é um dos principais aspectos dessa colaboração entre os governos baiano e dos Emirados. Isso inclui capacitação para os agricultores, assistência técnica contínua e intercâmbio das experiências acumuladas por um dos maiores produtores mundiais desse fruto. A Al Foah Company é reconhecida como uma das principais produtoras globais do setor.

Caso os testes agronômicos demonstrem resultados positivos para as variedades introduzidas no cultivo, o estado poderá inaugurar sua primeira cadeia produtiva comercial de tâmaras no Brasil.

 

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