Um grupo de pesquisadores, tanto brasileiros quanto internacionais, descobriu um mineral inédito na natureza dentro de um diamante extraído em Juína, localizada no noroeste do estado de Mato Grosso.
Esse mineral, que foi oficialmente reconhecido pela Associação Mineralógica Internacional e detalhado em um estudo publicado na revista American Mineralogist, é um fosfato de cálcio (Ca₂P₂O₇) e recebeu o nome de grahampearsonita. A denominação é uma homenagem ao geólogo e geoquímico britânico D. Graham Pearson, professor na Universidade de Alberta, no Canadá, reconhecido mundialmente por sua expertise em diamantes.
A grahampearsonita foi encontrada dentro de um diamante que se formou a grandes profundidades no manto terrestre, a centenas de quilômetros abaixo da superfície, e contém informações sobre condições geológicas extremas dessa região.
Os diamantes comuns encontrados na litosfera se formam a profundidades que variam entre 150 e 200 quilômetros nas áreas do manto superior. Em contraste, os diamantes superprofundos, conhecidos como sublitosféricos, originam-se em camadas muito mais profundas da Terra.
No campo da geologia, os materiais que ficam aprisionados dentro de um mineral são denominados inclusões. Nos diamantes, essas inclusões podem ser compostas por cristais de carbono que se formam sob altas pressões e temperaturas, capturando outros minerais durante o processo de crescimento.
No caso específico da grahampearsonita, a amostra inicial foi coletada de um diamante encontrado na região de Juína. As primeiras análises ocorreram no Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), onde técnicas especializadas foram utilizadas para identificar tanto a estrutura quanto a composição dos materiais presentes na inclusão.
Esse procedimento permitiu criar uma espécie de “impressão digital” mineralógica da amostra. As análises revelaram várias fases do fosfato presente, mas os resultados iniciais não eram suficientes para confirmar que se tratava de uma nova espécie mineral.
<pPosteriormente, a amostra foi encaminhada à Universidade de Pádua, na Itália, para análises adicionais. Com o uso combinado de técnicas cristalográficas, espectroscópicas e químicas, foi possível determinar que a composição e estrutura do material não se assemelhavam a nenhum mineral previamente catalogado.
A cidade de Juína está inserida em uma área associada ao Cráton Amazônico e é famosa pela presença de diamantes extremamente profundos. A geologia local sugere que a maioria dos diamantes analisados tem origem no manto profundo da Terra, conforme aponta o Serviço Geológico Brasileiro.
Com isso, as análises dos diamantes podem revelar fases minerais ligadas às condições específicas de pressão e temperatura encontradas em grandes profundidades. Isso permite aos cientistas recriar as dinâmicas do interior terrestre sob suas condições mais extremas.
Embora a fórmula química da grahampearsonita (Ca₂P₂O₇) corresponda àquela de um pirofosfato de cálcio já estudado em laboratório, este novo material é singular devido à sua estrutura cristalina distinta. A organização atômica e a coordenação dos elementos dentro do cristal são diferentes porque as pressões extremas podem reconfigurar os átomos do material e gerar estruturas que não surgiriam naturalmente na superfície.








