Descoberta uma nova espécie na Mata Atlântica do litoral de São Paulo

Uma nova espécie de planta da família Rutaceae, que inclui as laranjas e limões, foi identificada por pesquisadores do Laboratório de Sistemática de Plantas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, em parceria com cientistas de outras instituições brasileiras e da Dinamarca.

Até então desconhecida, a planta foi descoberta em uma área remanescente da Mata Atlântica em Ubatuba (SP) e posteriormente reconhecida também em Caraguatatuba (SP), ambas localizadas no litoral paulista. Com aproximadamente um metro de altura, a nova espécie ostenta flores brancas que se assemelham às das laranjeiras.

A espécie recebeu o nome Conchocarpus piranii, em homenagem ao botânico José Rubens Pirani, professor do Instituto de Biociências da USP e especialista na família Rutaceae. A relevância dessa descoberta é destacada pela associação dos exemplares encontrados à vegetação florestal costeira do domínio da Mata Atlântica, cuja diversidade ainda está longe de ser completamente compreendida, especialmente considerando a drástica redução da vegetação original ao longo dos séculos.

Conchocarpus piranii. Créditos: Milton Groppo/ reprodução – FAPESP

Dentro do grupo das Rutaceae neotropicais, Conchocarpus pertence à subtribo Galipeinae, reconhecida por sua grande diversidade na América tropical. No Brasil, há cerca de 200 espécies dessa família distribuídas entre a Mata Atlântica e a Amazônia.

O artigo que detalha essa descoberta foi publicado na revista científica Phytotaxa. Nele, os pesquisadores mencionam que Conchocarpus piranii, que faz parte de um gênero com cerca de 50 espécies, possui características únicas. Entre essas, destaca-se a estrutura do ovário que não possui a depressão central encontrada nas espécies mais próximas e o estilete — responsável por conectar o estigma ao ovário — em uma posição terminal.

A equipe também conduziu uma análise filogenética baseada no DNA para explorar as relações evolutivas entre as espécies desse grupo. Os resultados mostraram que nem todas as espécies de Conchocarpus com inflorescências apresentando brácteas semelhantes a folhas pertencem necessariamente a um grupo evolutivo próximo.

A identificação dessa nova espécie no litoral paulista evidencia que ainda existem lacunas no conhecimento sobre a biodiversidade da Mata Atlântica, mesmo após extensos levantamentos botânicos e expedições científicas.

Segundo informações do INPE, a Mata Atlântica cobria originalmente cerca de 1,36 milhão de quilômetros quadrados em 17 estados brasileiros e sofreu uma devastação aproximada de 93% de sua cobertura original. O bioma abriga mais de 20 mil espécies vegetais, sendo aproximadamente 8 mil delas endêmicas.

Atualmente, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica monitora fragmentos florestais considerados preservados — com mais de três hectares e dossel fechado — utilizando imagens de satélite. Essa iniciativa é crucial para acompanhar mudanças na cobertura vegetal e identificar áreas críticas para conservação.

Em 2019, outra espécie do gênero Conchocarpus, chamada Conchocarpus hendrixii, já havia sido descrita em pesquisas anteriores; essa espécie foi encontrada nas serras do norte fluminense e é caracterizada por suas flores roxas.

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