À medida que a Copa do Mundo se aproxima, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, um alerta crucial deve ser levado em consideração. A carga emocional gerada pelos jogos da Seleção Brasileira pode representar um risco significativo à saúde do coração.
Um estudo elaborado pela Universidade de São Paulo (USP), analisando os últimos quatro campeonatos mundiais, revelou um aumento de até 16% nas internações por problemas cardiovasculares durante os jogos da equipe nacional.
A cardiologista Fernanda Douradinho enfatizou que as partidas, especialmente as mais decisivas, podem provocar reações consideráveis no corpo humano, principalmente entre indivíduos com predisposição a doenças do coração.
“Sentimentos intensos, como ansiedade, estresse e alegria extrema durante confrontos decisivos, podem resultar em uma elevação significativa da adrenalina. Para aqueles que já enfrentam condições como hipertensão, doenças coronarianas, arritmias ou têm histórico cardíaco, isso pode desencadear situações críticas como crises hipertensivas, infarto ou até mesmo AVC”, alertou a especialista.
Segundo Fernanda, um dos maiores desafios é que muitos sinais de alerta acabam sendo mal interpretados como tensão normal do jogo. “Sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura e desmaios são indicadores importantes. Muitas pessoas confundem esses sinais com a ansiedade típica dos jogos, o que pode atrasar diagnósticos adequados”, destacou.
Além da carga emocional inerente aos jogos, comportamentos comuns durante a Copa também podem elevar os riscos cardiovasculares. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, uma alimentação pesada e noites mal dormidas são fatores que podem intensificar os efeitos do estresse no organismo.
Dicas para Manter a Saúde
“Frequentemente o problema não reside apenas na emoção da partida em si, mas sim na soma de diversos fatores. O segredo está no equilíbrio. É possível desfrutar da Copa com moderação ao manter uma dieta mais leve, hidratação adequada e evitando excessos”, ressaltou a cardiologista.
Esse cuidado é especialmente relevante para pessoas com hipertensão, ansiedade ou histórico de doenças cardíacas. “O principal aspecto é garantir o controle da saúde mesmo em momentos de diversão. Sempre aconselho meus pacientes a continuarem com suas medicações e evitarem exageros”, completou Fernanda Douradinho, que possui especialização em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013.
No momento, ela exerce a função de médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro e coordena a UTI cardiológica dessa mesma instituição. Além disso, é professora na disciplina de Urgência e Emergência na Faculdade de Medicina da Unaerp e mantém consultório na cidade de Santos, litoral paulista.








