No mês de julho de 2019, a Etiópia, que ocupa a posição de segunda nação mais populosa da África e possui um histórico repleto de crises políticas e econômicas, anunciou que havia completado o plantio de mais de 350 milhões de mudas de árvores em apenas 12 horas. Esta mobilização envolveu mais de mil localidades em todo o país.
O Fórum Econômico Mundial destacou que essa ação excedeu amplamente a meta inicial, que visava plantar 200 milhões de árvores em um dia. Além disso, o número ultrapassou em muito o recorde anterior da Índia, que era de 66 milhões de árvores plantadas em 2017.
A campanha fazia parte do programa Green Legacy, introduzido pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali. Em reconhecimento ao seu trabalho pela paz na instável região do Chifre Africano, onde existem conflitos históricos entre Etiópia e Eritreia, Abiy foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2019.
Com a iniciativa, o governo buscava tirar proveito da estação das chuvas para atingir um objetivo ambicioso: plantar quatro bilhões de novas árvores. Essa meta contou com a participação ativa de milhões de cidadãos, incluindo servidores públicos, estudantes e membros de comunidades religiosas. Muitos deles tiveram suas aulas e atividades suspensas para se engajar na campanha.
Até o ano de 2026, a intenção da Etiópia é plantar até 50 bilhões de árvores, com o propósito de restaurar solos degradados e combater a desertificação que afeta o país.
Historicamente, as florestas cobriam cerca de 35% do território etíope no início do século XX, conforme informações da Organização das Nações Unidas. Entretanto, ao longo dos anos, fatores como expansão agrícola, crescimento populacional e exploração madeireira para atender à demanda energética reduziram esse percentual drasticamente para aproximadamente 4% atualmente.
A economia etíope ainda depende fortemente da agricultura, um setor que vem enfrentando cada vez mais desafios devido à seca e à insegurança alimentar. A desertificação está comprometendo a disponibilidade hídrica no solo e aumentando a vulnerabilidade das populações locais.
<pEm 2024, o Parlamento etíope aprovou uma nova legislação criando o Fundo Especial para o Legado Verde e Restauração de Paisagens Degradadas. A norma determina que entre 0,5% e 1% das receitas federais sejam alocadas para financiar ações voltadas à restauração ambiental, representando uma quantia anual aproximada entre US$ 40 milhões e US$ 80 milhões.
No ano subsequente, uma nova iniciativa governamental visava plantar 700 milhões de árvores em um único dia. Esse projeto contou com a colaboração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Ainda assim, apesar do engajamento massivo da população, especialistas alertam sobre a importância do monitoramento das taxas de sobrevivência das mudas ao longo do tempo. Essa avaliação é crucial para assegurar que os esforços resultem efetivamente em reflorestamento bem-sucedido.
Conforme informações do Fórum Econômico Mundial, o desmatamento contribui com mais de 15% das emissões globais dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Anualmente, cerca de 15 bilhões de árvores são derrubadas ao redor do planeta.






