ONU emite advertência preocupante sobre o destino dos oceanos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um aviso sobre a grave crise que os oceanos estão enfrentando, provocada pelo aquecimento global, poluição e práticas de sobrepesca. Um relatório recém-publicado nesta segunda-feira revela que as temperaturas das águas estão em ascensão, o nível do mar continua a subir e os ecossistemas marinhos encontram-se sob pressão severa.

Esse estudo, que é fruto de cinco anos de pesquisa envolvendo 600 cientistas de diferentes partes do mundo, analisa as consequências das mudanças climáticas, da degradação ambiental e da exploração excessiva dos recursos oceânicos. A avaliação indica que mais de 90% do calor extra e 30% do CO2 gerado pela queima de combustíveis fósseis foram absorvidos pelos oceanos.

O aumento da temperatura da água e o derretimento das geleiras são fatores que têm contribuído para a elevação do nível do mar, que passou de menos de 2 milímetros anuais antes de 2015 para 4,3 milímetros em 2023. Esse crescimento acelerado representa um risco significativo para regiões costeiras e comunidades que dependem da pesca e da agricultura marinha.

Além disso, o documento ressalta que os recifes de coral estão especialmente ameaçados. Desde 2018, ocorreram aumentos nos episódios de branqueamento massivo, e os especialistas advertiram que até 90% dos recifes podem desaparecer se a temperatura média global aumentar 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. Adicionalmente, a contaminação por microplásticos já afeta mais de 4.000 espécies marinhas, com aproximadamente 52,1 milhões de toneladas de resíduos sendo lançadas nos oceanos anualmente.

A ONU solicita ações imediatas globais, incluindo a redução da poluição plástica, o uso sustentável dos recursos e uma maior cooperação internacional. António Guterres, o secretário-geral da ONU, enfatizou: “não podemos tratar os oceanos como se fossem infinitos”, alertando sobre o impacto crescente na biodiversidade e na segurança alimentar.

O relatório também aponta para mudanças nas dinâmicas geopolíticas. No Ártico, a diminuição do gelo tem aberto novas rotas marítimas antes inacessíveis, intensificando a competição entre potências globais como Estados Unidos, Rússia e China. No Antártico, o derretimento acelerado do gelo marinho desde 2016 já está afetando habitats cruciais para a fauna local.

Ian Butler, ecólogo marinho e um dos coordenadores do relatório, declarou: “o oceano é fundamental para a vida na Terra; no entanto, esses sistemas estão próximos ou mesmo ultrapassaram pontos críticos irreversíveis”. A ONU reitera que decisões fundamentadas na ciência e ações multilaterais são imprescindíveis para evitar a degradação e garantir a proteção dos ecossistemas oceânicos.

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